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quarta-feira, 10 de maio de 2017

A libertação de um homem

"E navegaram para a terra dos gadarenos, que está defronte da Galileia. E, quando desceu para terra, saiu-lhe ao encontro, vindo da cidade, um homem que desde muito tempo estava possesso de demônios, e não andava vestido, nem habitava em qualquer casa, mas nos sepulcros.
E, quando viu a Jesus, prostrou-se diante dele, exclamando, e dizendo com grande voz: Que tenho eu contigo, Jesus, Filho do Deus Altíssimo? Peço-te que não me atormentes.
Porque tinha ordenado ao espírito imundo que saísse daquele homem; pois já havia muito tempo que o arrebatava. E guardavam-no preso com grilhões e cadeias; mas, quebrando as prisões, era impelido pelo demônio para os desertos" (Lc 8: 26-29).


  A Bíblia diz que num certo dia, Jesus e seus discípulos entraram num barco para atravessar o Mar da Galileia, que na verdade é um lago, também chamado de Mar de Tiberíades ou Lago de Genesaré. No meio do caminho eles se depararam com uma forte tempestade: "E, navegando eles, adormeceu; e sobreveio uma tempestade de vento no lago, e enchiam-se d'água, estando em perigo" (Lc 8:24). Enquanto essa tempestade ocorria, Jesus estava dormindo tranquilamente, os discípulos acordaram-no e ele repreendeu o vento e a fúria do mar: "E, chegando-se a ele, o despertaram dizendo: Mestre, Mestre, perecemos. E ele, levantando-se, repreendeu o vento e a fúria da água; e cessaram, e fez-se bonança"(Lc 8:25).
   Ao chegar em terra firme, na região de Gadara, a Bíblia afirma que um endemoninhado saiu ao encontro de Jesus. A história que passa a ser contada a partir dessa chegada de Jesus em Gadara,é uma história maravilhosa de libertação e de demonstração do poder e autoridade de Jesus.
   O texto relata algumas características acerca da situação enfrentada por aquele homem:

  • Estava possesso já há muito tempo (Lc 8:27);
  • Era feroz ao ponto de ninguém poder passar pelo caminho (Mt 8:28);
  • Sua agressividade levou as pessoas a prendê-lo com grilhões (Mc 5:4), mas mesmo assim não conseguiam amansá-lo ou contê-lo (Mc 5:4b)
  • Andava pelos sepulcros dia e noite clamando e ferindo-se com pedras (Mc 5:5).
  Essa passagem sempre mexe profundamente comigo, pois este homem representa o retrato do que Satanás deseja fazer com a vida das pessoas. Uma vida de sofrimento, solidão, dor...Devido à situação que ele enfrentava a sua vida ficou prejudicada em todos os aspectos:

  • Convívio familiar e convívio social totalmente inexistente: "Não habitava em qualquer casa, mas nos sepulcros" (Lc 8:26);
  • Foi levado a lugares de solidão e morte: sepulcros e deserto;
  • Além da prisão física houve a tentativa de resolver o problema com correntes e grilhões físicos;
  • Perda dos valores morais, normas estabelecidas para o convívio social: "Não andava vestido" (Lc 8:27);
  • Perda da personalidade. Seus padrões de pensar, sentir e agir, a individualidade pessoal que nos faz ser quem somos, foi totalmente prejudicada:
  • Feria-se a si mesmo (Mc 5:5). Satanás fez com que perdesse o amor por si mesmo e seu senso de autopreservação;
  • Sem paz, andava clamando nos montes e sepulcros (Mc 5:5).
   A vida daquele homem estava em completa ruína, não havia nada que as pessoas daquela localidade pudessem fazer por ele. O máximo que chegaram a conseguir foi aprisioná-lo com correntes e grilhões, mas apenas temporariamente, pois nem mesmo isso era capaz de detê-lo. 
   Gadara era uma das dez cidades autônomas da região de Decápolis. Era um centro comercial habitado por não judeus que viam na criação e comercialização de porcos uma fonte de renda. Isso fazia com que fossem totalmente rejeitados pelos judeus, pois o porco era um animal imundo de acordo com a Lei mosaica.
   Quando Jesus pisou na terra de Gadara, o endemoninhado saiu ao seu encontro clamando com grande voz: "Que tenho eu contigo, Jesus, Filho do Deus Altíssimo? Peço-te que não me atormentes " (Lc 8:28b). Até aquele momento os demônios tinham feito o que queriam na vida daquele homem, mas chegara aquele que veio pra desfazer as obras do diabo (I Jo 3:8). Jesus havia atravessado o Mar da Galileia, repreendido a tempestade para chegar num lugar onde nenhum judeu queria ir para libertar um homem, uma vida.
   Não havia naquele lugar nada e nem ninguém que fizessem oposição à atuação demoníaca, eles estavam completamente à vontade para atuar, mas com a chegada de Jesus o negócio é diferente. Os demônios sentiram que havia um oponente ao qual não poderiam resistir e imploraram pra que Jesus permitisse que entrassem nos porcos.
  A permissão que Jesus lhes deu de entrarem na manada de 2000 porcos, vai demonstrar algumas coisas para a população local:

  • O poder destruidor dos demônios que habitavam aquele homem;
  • O grau de sofrimento que ele estava suportando por um longo período de tempo;
  • Que Jesus tem autoridade pra dar ordens aos demônios, o poder deles está limitado à permissão de Jesus;
  • Com a destruição da manada de porcos, havia uma escolha a ser feita: crer em Jesus e recebê-lo ou preferir os porcos e se lamentar com o prejuízo financeiro.
   Jesus trouxe restauração à vida daquele homem em todos os aspectos:

  • Espiritualmente;
  • Fisicamente;
  • Restauração dos seus valores morais: "totalmente vestido" (Lc 8:35);
  • Restauração da saúde emocional: "Perfeito juízo" (Lc 8:35);
  • Restauração do convívio familiar e social: "Torna para tua casa!" (Lc 8:39);
  • Estabelecimento de uma missão: "Conta quão grandes coisas te fez Deus" (Lc 8:39).
   As pessoas, mesmo depois de vê-lo completamente vestido, lúcido e assentado aos pés de Jesus, decidiram optar por pedir a Jesus que saísse de sua cidade. Isso é bem triste, pois nos mostra que existem pessoas que decidem, mesmo diante de grandes manifestações milagrosas e poderosas de Deus, escolher os 'porcos' e trilhar seus próprios caminhos. Para esses as coisas dessa vida são mais interessantes do que as coisas relacionadas ao mundo espiritual.
  Após a sua libertação, o homem pediu a Jesus para segui-lo e recebeu de Jesus a seguinte resposta: "Torna para tua casa, e conta quão grandes coisas Deus te fez. E ele foi apregoando por toda a cidade quão grandes coisas Jesus lhe tinha feito" (Lc 8:39). É maravilhoso imaginar a volta dele para casa, o reencontro com a família, com os amigos, depois de tanto tempo. A própria vida daquele homem se tornou um testemunho grandioso do poder de Jesus. 
   Essa história nos leva a entender que Jesus tem todo o poder e autoridade sobre todas as coisas e que não há vida que não possa ser liberta pelo seu poder. É uma história linda de libertação, do resgate de alguém que estava aprisionado e fadado a viver uma vida miseravelmente derrotada. Ele foi lá em Gadara por uma alma. Atravessou o lago pra salvar uma vida. 
   Essa história mostra o quanto o encontro com o Mestre é libertador e criador de novos rumos. No início o homem não tinha perspectiva de nada, estava morto, mas quando encontrou-se com Jesus tornou-se um anunciador das boas novas.  Jesus quebra toda e qualquer corrente que nos aprisiona, ele nos liberta e dá sentido à nossa vida. Quando Deus nos encontrou e nos transformou foi para que fossemos e anunciássemos aos outros quão grandes coisas ele fez por nós.


Paz e até.
   

sábado, 22 de abril de 2017

O Fruto do Espírito

"Mas o fruto do Espírito é: amor, gozo, paz, longanimidade, benignidade, bondade, fé, mansidão, temperança.
Contra essas coisas não há lei" (Gl 5:22, 23).

   De acordo com o dicionário fruto significa prole, filho, efeito, resultado, utilidade, rendimento. No sentido bíblico, o fruto está associado a nossas atitudes: "Assim, toda a árvore boa produz bons frutos, e toda árvore má produz frutos maus. Não pode a árvore boa das maus frutos, nem a árvore má dar frutos bons. Toda a árvore que não dá bom fruto corta-se e lança-se no fogo. Portanto, pelos seus frutos os conhecereis" (Mt 7: 17 - 20).
   O fruto é resultado de nossa ligação, como varas, à videira que é Cristo: "Eu sou a videira verdadeira, e meu Pai é o lavrador. Toda vara em mim, que não dá fruto, a tira; e limpa toda aquela que dá fruto, para que dê mais fruto. Vós já estais limpos, pela palavra que vos tenho falado. Estai em mim, e eu em vós; como a vara de si mesma não pode dar fruto, se não estiver na videira, assim também vós, se não estiverdes em mim. Eu sou a videira, vós as varas; quem está em mim, e eu nele, esse dá muito fruto; porque sem mim nada podeis fazer" (Jo 15: 1-5). É essa ligação que propicia a produção de frutos que permanecem, pois os frutos não são atos momentâneos, mas sim atos que passam a fazer parte do caráter. O bom fruto só pode ser produzido porque estamos em Cristo e não através de um esforço humano. O fruto que é produzido pela nossa ligação em cristo é constante, permanece para sempre.
   O fruto do Espírito é a manifestação do próprio caráter de Cristo em nós, tornando-nos cada vez mais parecidos com Ele, produzindo mudança de dentro para fora.
   Podemos perceber que a palavra fruto no texto de Gálatas encontra-se no singular e não no plural, significando que é um fruto subdividido em 9 atributos que tem no amor a sua origem: "Amados, amemo-nos uns aos outros; porque o amor é de Deus; e qualquer que ama é nascido de Deus e conhece a Deus. Aquele que não ama não conhece a Deus; porque Deus é amor" (I Jo 4: 7-8). Note-se que esse amor é o amor citado em I Co 13, amor sacrificial, amor ágape que vem do próprio Deus. Somente alguém dotado desse amor pode desenvolver esses atributos.
   No texto da carta de Paulo aos Gálatas é perceptível a diferença entre as obras da carne e o fruto do Espírito. Paulo estabelece parâmetros que diferenciam os que são de Deus daqueles que não são. Muita gente quer tomar posse de bênçãos materiais, mas não se interessam em tomar posse da maior de todas as bênçãos: a vitória sobre o pecado através do sangue de Jesus Cristo. Preferem usar a desculpa de que a carne é fraca, ao invés de decidirem experimentar o novo nascimento operado por nosso Senhor Jesus e viver uma nova vida onde o fruto seja produzido por intermédio do Espírito Santo.
   O fruto do Espírito é demonstrado nas relações com os outros. Se há uma coisa difícil nessa vida são os relacionamentos humanos. Afinal de contas ninguém é exatamente igual a ninguém. Lidamos muitas vezes com pessoas difíceis, com situações delicadas, onde as boas atitudes dependerão diretamente se temos ou não o fruto do Espírito. Muitos dizem-se nascidos de novo, mas brigam, gritam, iram-se sem motivo, escandalizam, são grosseiros no trato com os outros...É quando somos confrontados que poderemos mostrar a verdadeira mudança operada em nós.
   Compõem o fruto do Espírito:

  • Amor - Amor ágape, amor divino. Emana de Deus para o homem (I Co 13 - um tratado sobre o amor).
  • Paz - Não é ausência de conflito, mas tranquilidade mesmo em meio a dificuldades. Essa paz excede a todo entendimento (Fp 4:7).
  • Alegria (gozo) - Resultado de um senso de bem estar e prazer na presença de Deus e que deriva de intimidade com Deus. Não está baseada em circunstâncias externas, mas no relacionamento com Deus (Fp 4:4).
  • Longanimidade - Paciência, tolerância.
  • Benignidade - Gentileza e bondade.
  • Bondade - Boa índole, qualidade do que é bom.
  • Domínio próprio - Temperança, autocontrole. Ajuda-nos a rejeitar o mal, dando-nos capacidade para discernir entre o que é certo e o que é errado.
  • Mansidão - Placidez e modéstia (Mt 5:5).
  • Fidelidade (fé) - Lealdade. Quando se possui essa característica independente de qualquer situação mantemos a fé em Deus e em sua palavra.
   Que o Espírito Santo nos ajude a sermos transformados à semelhança de Cristo até que cheguemos à estatura de perfeição.

Paz e até.

sexta-feira, 7 de abril de 2017

O azeite da viúva

"E uma mulher das mulheres dos filhos dos profetas, clamou a Eliseu, dizendo: Meu marido, teu servo, morreu; e tu sabes que o teu servo temia ao Senhor. E veio o credor a levar-me os meus dois filhos para serem servos.
E Eliseu lhe disse: Que te hei de eu fazer? Declara-me que é o que tens em casa. E ela disse: Tua serva não tem nada em casa, senão uma botija de azeite.
Então disse ele: Vai, pede para ti vasos emprestados a todos os teus vizinhos, vasos vazios, não poucos. 
Então entra, e fecha a porta sobre ti e sobre teus filhos, e deita o azeite em todos aqueles vasos, e põe à parte o que estiver cheio.
Partiu, pois, dele e fechou a porta sobre si e sobre seus filhos; e eles lhe traziam os vasos, e ela os enchia.
E sucedeu que, cheios que foram os vasos, disse a seu filho: Traze-me ainda um vaso. Porém ele lhe disse: Não há mais vaso nenhum. Então o azeite parou.
Então veio ela, e o fez saber ao homem de Deus; e disse ele: Vai, vende o azeite, e paga a tua dívida; e tu e teus filhos vivei do resto" (II Sm 4: 1 - 7).

   Nesses poucos versículos, a Bíblia nos conta a triste história de uma mulher que havia perdido seu marido e estava prestes a perder seus filhos por causa de dívidas não pagas. Mas o texto termina com a operação de um grande milagre que permitiu a essa mulher ver o livramento de seus filhos de uma vida de escravidão.
   Diante de tanta dificuldade, ela decidiu recorrer ao profeta Eliseu. Ele era homem de Deus, aquele por intermédio de quem Deus trazia sua palavra ao povo. E é a ele que ela procura no momento da sua dificuldade.
   Ao invés de se conformar em perder sua família para o credor, ela resolve buscar uma solução para o problema que enfrentava. Ela não sabia como isso poderia acontecer, mas sabia que não poderia cruzar os braços e desistir.
   O marido era servo de Deus, ela mesma testemunha isso diante do profeta. Certamente a fé e confiança dele em Deus foram um exemplo pra que ela construísse seu próprio relacionamento com Deus. É interessante notar que o marido não deixou herança material, ao contrário, deixou dívidas, mas ele deixou uma herança espiritual profunda para a sua família. Algumas pessoas só possuem bens financeiros pra deixar como legado, mas aquele marido deixou uma herança que não pode ser consumida ou dissipada.
   Eliseu pergunta a mulher o que ela tinha em casa e a resposta tímida dela é: "Tua serva não tem nada...". Mas logo ela se lembra da botija de azeite: "...senão uma botija de azeite". O azeite servia como combustível, como alimento, como remédio, para unção. Ela era pobre, necessitada, em dificuldade, mas ainda havia uma botija de azeite deixada pelo marido. Parecia pouco, mas era o suficiente para gerar um poderoso milagre na vida daquela mulher.
   Ela recebeu de Eliseu a orientação de pedir vasos emprestados, e ele deixou claro que era para não pedir poucos. Era preciso obedecer as orientações dadas pelo profeta. Mesmo sem saber qual seria o resultado de sua ação, era preciso ter fé suficiente para obedecer.
   Uma das orientações dada a ela por Eliseu era entrar em casa, fechar a porta com seus filhos e encher os vasos. Era preciso estarem unidos em família, os filhos não ficaram de fora de todo o processo que geraria a libertação deles, eles trabalharam junto com a mãe para que todos os vasos fossem cheios. Enquanto as portas estavam fechadas, as pessoas não podiam ver ou perceber a grande providência que estava sendo gerada enquanto a família se unia para encher os vasos, mas cada vaso que eles viam sendo cheios era prova do cuidado de Deus por eles.
   Depois de encherem todos os vasos, o azeite parou de correr. Mas os vasos não foram cheios para ficarem estacionados dentro de casa. Havia um propósito para o milagre gerado dentro daquela casa. A mulher correu para o profeta para perguntar o que fazer a seguir e ele lhe respondeu: "Vai, vende o azeite, e paga a tua dívida; e tu e teus filhos vivei do resto" (v. 7). Quando ela pediu ajuda ao profeta, estava procurando uma solução pra um problema imediato, mas ela recebeu algo ainda maior: Deus deu a ela condições de pagar sua dívida e a possibilidade de organizar a vida e tecer uma outra história para sua família. Deus supriu muito mais do que ela esperava, deu a ela esperança para o futuro.
   Com a história dessa viúva, cujo nome nem sequer é citado, eu aprendo lições valiosas:

  • Lutar pela família;
  • Procurar socorro em Deus diante das dificuldades;
  • Ter confiança para seguir as orientações de Deus;
  • Trabalhar para que a família seja abençoada;
  • Viver o que Deus tem pra mim e minha família.
Paz e até.