quarta-feira, 22 de junho de 2016

Quando perdemos Jesus

"E, tendo ele já doze anos, subiram a Jerusalém à festa da páscoa; E, regressando eles, terminados aqueles dias, ficou o menino Jesus em Jerusalém, e não o soube José, nem sua mãe. Pensando, porém, eles que viria de companhia pelo caminho, andaram caminho de um dia, e procuravam-no entre os parentes e conhecidos; E, como não o encontrassem, voltaram a Jerusalém em busca dele. E aconteceu que, passados três dias, o acharam no templo, assentado no meio dos doutores, ouvindo-os e interrogando-os." (Lc 2:42-16)
  Já imaginou como seria ficar sem Jesus? Foi o que aconteceu com a família de Jesus. Eles o perderam e ficaram literalmente vários dias sem a sua presença e sem saber onde ele estava.

   A Bíblia não conta muitos detalhes da infância e adolescência de Jesus, Lucas é o único evangelho a relatar essa passagem em que nos deparamos com um Jesus pré-adolescente. O evangelho relata que todos os anos a família de Jesus subia a Jerusalém por ocasião da festa da páscoa. A Páscoa era uma das festas obrigatórias para os judeus. Numa dessas ocasiões, estando Jesus com doze anos de idade, a Bíblia diz que, ao terminar a festa, seus pais põem-se a caminho de casa. Era hora de voltar pra casa e todos tomaram o caminho de volta, mas e Jesus onde estava? Seus pais não o haviam visto, mas tinham confiança de que ele estivesse no meio da caravana deles, talvez com algum conhecido ou parente e, assim, iniciaram o regresso com tranquilidade sem saber que Jesus ficara em Jerusalém. Passa-se um dia inteiro até perceberem que algo estava errado. Não viram Jesus em momento algum e isso começa a preocupar. Procuram entre as pessoas e nada, até que decidem voltar a Jerusalém para encontrá-lo. Três dias depois conseguem encontrar Jesus no templo, no meio dos doutores.
   Não é interessante que tenham se posto a caminhar sem terem a plena certeza de que Jesus estava com eles? Podemos nos perguntar ao ler o texto, como alguém pode perder Jesus? Como não notaram antes que Jesus não estava com eles? Mas, infelizmente, essa história se repete ainda hoje. Essa história me faz lembrar de Sansão. Ele era um homem escolhido por Deus desde o ventre, um nazireu. Os nazireus deveriam viver uma vida bastante regrada, pois eram consagrados ao Senhor. A força de Sansão causava muita curiosidade nos seus inimigos, os filisteus. Sabiam que jamais poderiam vencê-lo sem saber como acabar com sua força. Daí decidiram usar Dalila que, dia após dia insistia para que Sansão lhe revelasse a fonte de sua força. Ele não podia revelar seu segredo, mas ao invés de cortar o mal pela raiz, achou que podia brincar com seu chamado. Depois de inventar várias justificativas para a sua força, finalmente ele acabou revelando que havia sido consagrado desde o ventre e que nunca havia cortado os cabelos. Dalila então o fez dormir e cortou as sete tranças do seu cabelo. Logo depois ela anunciou: "Os filisteus vêm sobre ti, Sansão." (Jz 16:20a). Ele acordou pensando que escaparia como das outras vezes, e então o texto nos revela algo profundamente triste que Sansão só vai se dar conta depois: "Porque ele não sabia que já o Senhor se tinha retirado dele" (Jz 16:20d). A negligência pelas coisas de Deus levou Sansão a um fim muito triste: preso, teve seus olhos furados e era exibido como troféu no templo de Dagom.
   A família de Jesus achava que tudo estava bem. Eles não viam Jesus, mas pensavam: "Ele está com nossa família e amigos, então tudo está bem". O convívio, o hábito, as repetições, a frequência aos cultos, os versículos decorados, parecem dizer-nos que Jesus está conosco incontestavelmente. Isso leva, muitas vezes, a uma vida de religiosidade vazia da presença de Deus, mas como ainda frequentamos o ambiente cristão, achamos que tá tudo certo. Esquecemos que é preciso manter um contato íntimo com o Mestre e não apenas cumprir rituais religiosos. Isaías alertou os israelitas para esse erro: "Eis que assim declara o Eterno: "Visto que este povo se chega junto a mim apenas com palavras sem atitude, e me honra somente com mover os lábios, enquanto seu coração está muito distante da minha pessoa. E a adoração que me prestam é constituída tão somente de regras e doutrinas criadas por homens" (Is 29:13). Os pais de Jesus não tinham contato com Jesus, mas acharam que tudo estava bem.
    
   Quando passamos à frente do Senhor Jesus, quando negligenciamos a sua Palavra, quando brincamos com as coisas de Deus, corremos um sério risco de o perdermos. Note que foram os pais de Jesus que seguiram o caminho sem verificar se Jesus estava indo com eles. Não foi Jesus que os abandonou. Da mesma forma, somos nós que decidimos nos afastar de Deus com nossas atitudes egoístas. Passamos à frente de Jesus quando ignoramos seus mandamentos e orientações e decidimos agir de acordo com nossa vontade, sabedoria humana e experiências passadas de sucesso. O sucesso que obtivemos no passado não é garantia de que obteremos vitória no futuro, somente Deus conhece o futuro e sabe como devemos agir.
   
   Depois de ficarem tanto tempo sem a presença de Jesus, era preciso fazer alguma coisa. A primeira coisa que os pais de Jesus fizeram foi reconhecer que Jesus não estava com eles e, a partir de então começaram a procurá-lo. Tiveram que retornar ao início, à Jerusalém. Era preciso rever conceitos, observar todos os seus passos até ali, reconstituir a trajetória até chegarem onde Jesus estava. Era preciso voltar: "Lembra-te, pois, de onde caíste, e arrepende-te, e pratica as primeiras obras." (Ap 2:5a). E, após retornarem ao local onde o haviam perdido, finalmente eles o encontram no templo. Não vou aqui dizer que você só poderá reencontrar Jesus na igreja, pois muitas vezes o perdemos sem nem mesmo deixar o templo. E ele também não se limita a espaços físicos. Mais do que ir a uma igreja é importante reconhecer que precisamos de Jesus na nossa vida, no nosso coração, habitando o templo que somos nós e buscá-lo até o encontrarmos. Uma boa notícia é que ele, de modo nenhum lança fora os que vão até ele.

Paz e até.

segunda-feira, 23 de maio de 2016

É já a última hora!

"Filhinhos, é já a última hora; e, como ouvistes que vem o anticristo também agora muitos se têm feito anticristos; por onde conhecemos que é já a última hora" (I JO 2:18).
   A primeira carta de João foi escrita com o propósito de alertar acerca dos falsos ensinamentos que estavam permeando a igreja naqueles dias. Embora em nenhum momento cite o nome do apóstolo João, há um consenso geral na credibilidade de sua autoria. A carta foi escrita por volta do ano 90 d.C. e era direcionada às igrejas do primeiro século. 
   O gnosticismo estava começando a ter proeminência naquele período. Segundo o gnosticismo a matéria é essencialmente má, e o espírito essencialmente bom. Como o corpo é matéria, não podia ser bom, o que resultava na crença de que Jesus não havia se manifestado em carne. Surge daí duas condutas em relação ao corpo: ASCETISMOdoutrina filosófica que defende a abstenção dos prazeres físicos e psicológicos, acreditando ser o caminho para atingir a perfeição e equilíbrio moral e espiritual (Significados); ou à LIBERTINAGEM - privilégio da liberdade desenfreada. João afirma a tal respeito: "Nisto conhecereis o Espírito de Deus: Todo o espírito que confessa que Jesus Cristo veio em carne é de Deus; E todo o espírito que não confessa que Jesus Cristo veio em carne não é de Deus; mas este é o espírito do anticristo, do qual já ouvistes que há de vir, e eis que já agora está no mundo" (I Jo 4:2,3).
   O propósito do agnosticismo é a libertação da matéria que pode ser alcançado através de um saber mágico, um conhecimento transcedental (a gnose). Como a partícula divina já está aprisionada no homem, nenhuma atitude sua poderia melhorar ou piorar sua natureza, o que se requer é a liberação dessa partícula através da aniquilação da matéria. O corpo também será salvo, o homem é um ser completo e será salvo por completo (I Co 15). 
   É com o propósito de combater tais heresias que João escreve sua epístola.
   No capítulo 2, ele faz um alerta acerca da proximidade do fim. A mensagem era tão urgente que João a declara duas vezes no mesmo versículo: "É já a última hora" (I Jo 2:18). Paulo em sua carta aos romanos alerta que: "[...]porque agora a nossa salvação está mais próxima do que quando cremos" (Rm 13:11b).
   Naqueles dias muitos falsos mestres se levantavam trazendo um ensino contrário às escrituras e João os chama de anticristos, opositores da verdade. Nos dias atuais não é muito diferente, todos os dias vemos novas heresias surgindo no seio da igreja e muitos se têm deixado seduzir por esse falsos ensinos visando alcançar benefícios materiais. É preciso muito cuidado para não cair em engodos que só levam ao afastamento da verdade bíblica: "Para que não sejamos mais meninos inconstantes, levados em roda por todo o vento de doutrina, pelo engano dos homens que com astúcia enganam fraudulosamente" (Ef 4:14). Faz parte do processo de amadurecimento cristão buscar conhecer a palavra de Deus para não ser levado ao erro. A Bíblia deixa bem claro que a manifestação do Espírito é dada para o que for útil: "Mas a manifestação do Espírito é dada a cada um, para o que for útil" (I Co12:7). E podemos ter certeza de que engrandecer nome de homens, nomes de denominações, de organizações ou qualquer outra coisa que seja, em substituição à honra devida ao Senhor não é uma das utilidades da manifestação do Espírito Santo. Deus não divide a sua glória com ninguém:"Eu sou o Senhor; este é o meu nome, a minha glória, pois, a outrem não darei" (Is 42:8 b).
   Os falsos mestres apostataram da fé. João afirma que: "Saíram de nós, mas não eram de nós" (I Jo 2:19). Eles fizeram parte da igreja, mas se deixaram levar pelo engano e se desviaram proclamando um ensino totalmente oposto à Palavra de Deus. Afirmavam serem possuidores do conhecimento (gnose) que os libertaria. João se contrapõe a essa afirmação declarando que os que pertencem a deus têm o espírito Santo que revela a verdade: "E vós tendes a unção do Santo, e sabeis todas as coisas" (I Jo 2:20; 27). Essa afirmação de João é bastante interessante, pois o véu foi rasgado e nos foi concedido acesso direto ao Pai. Temos o Espírito Santo para nos guiar a toda verdade espiritual, não precisamos recorrer a 'gurus espirituais' a fim de que nos deem alguma revelação secreta da parte de Deus. Toda a revelação de que precisamos já está contida na Palavra ao nosso alcance. O problema é que, em alguns casos, há um certo comodismo em buscar respostas prontas ao invés de beber da própria fonte que são as Escrituras sagradas. É mais fácil ir em busca de uma 'profetada' do que buscar a Deus em oração, jejum e meditação na sua poderosa palavra.
   João alerta também para a necessidade de se estar alicerçado nos fundamentos cristãos: "Portanto, o que desde o princípio ouvistes permaneça em vós. Se em vós permanecer o que desde o princípio ouvistes, também permanecereis no Filho e no Pai" (I Jo 2:24). Essa é uma condição para permanecer em cristo e significa permanecer unido no coração, no pensamento e na vontade. Jesus também avisou sobre o perigo de olhar para o passado da existência com saudade, abandonando a graça: "Ninguém que lança mão do arado e olha para trás, é apto para o reino de Deus" (Lc 9:62).
   A promessa que o Senhor Jesus nos fez foi a vida eterna: "E esta é a promessa que ele nos fez: a vida eterna" (I Jo 2:25). Estamos vivendo uma época em que se promete tudo em algumas das grandes reuniões ditas cristãs, menos a salvação. Casa, carro, prosperidade financeira, curas de doenças, vitórias e conquistas, afinal o crente não pode perder nunca segundo tais doutrinas. Não quero dizer que Deus não possa fazer essas coisas e nem que, a exemplo dos ascetas, temos que amar o sofrimento. Não é nada disso. É louvável conquistar as coisas com o fruto do nosso trabalho ajudados por Deus. É louvável buscar viver uma vida confortável. Mas essas coisas são passageiras, não são a prioridade de Deus na vida do ser humano. O desejo de Deus é que todos sejam salvos: "o qual deseja que todos os homens sejam salvos e cheguem ao pleno conhecimento da verdade (I Tm2:4). O crente passa sim por provações e dificuldades, mas há promessa da manifestação da glória de Deus em sua vida: "Porque a nossa leve e momentânea tribulação produz para nós um peso eterno de glória mui excelente; não atentando nós nas coisas que se vêem, mas nas que não se vêem, porque as que se vêem são temporais, mas as que não se vêem são eternas" (II Co 4:17-18).
   João termina o capítulo 2 de sua epístola com uma afirmação poderosa: "Se sabeis que ele é justo, sabeis que todo aquele que pratica a justiça é nascido de Deus" (I Jo 2:29). Não é possível uma árvore boa dar frutos ruins e vice versa. Quem é de Deus deve andar como Jesus andou (I Jo 2:6). Não há como ser de Cristo e viver uma vida de injustiça, mentiras e desonestidade. No Brasil existe a cultura do 'se dar bem', do famoso 'jeitinho brasileiro', onde o que se leva em consideração é a vantagem que se pode tirar das situações e não o valor ético das atitudes. Independente das vantagens que nos sejam apresentadas em uma situação onde alguém seja prejudicado, onde a mentira prevaleça, onde haja corrupção e desonestidade, é preciso uma conduta condizente com a palavra de Deus. O verdadeiro arrependimento produz frutos dignos: "Produzi, pois, frutos dignos de arrependimento" (Lc 3:8 a). 
   Que possamos entender que o surgimento de falsos ensinos é um dos sinais da proximidade da volta de Cristo (Mt 24:11), e que procuremos estar sempre prontos para esse grande evento: "Vigiai, pois, em todo o tempo, orando para que sejais havidos por dignos de evitar todas estas coisas que hão de acontecer, e de estar de pé diante do Filho do homem" (Lc 21:36).


Paz e até.

quinta-feira, 19 de maio de 2016

Verdade versus tolerância

   E cá estou eu de volta. Durante muito tempo fiquei sem postar nada e, nesse período, confesso que pensei várias vezes em excluir esse blog. Mas acabava sempre deixando, deixando e deixando. Havia (e ainda há) sempre tantas coisas para fazer que eu acabava não postando nada. Mas hoje decidi vir aqui, mesmo com tantos afazeres. E como primeiro post depois de um longo período, quero trazer o trecho de um livro que estou lendo atualmente: "Não tenho fé suficiente para ser ateu". O trecho que trago tem como título: Verdade versus tolerância. Acho muito oportuno esse assunto, pois, nos dias atuais fala-se muito em tolerância, mas não no sentido de respeitar crenças opostas e sim no sentido de aceitar como verdadeiras todas as crenças. Bom, respeitar quem acredita em algo diferente é totalmente possível, mas acreditar que todos os sistemas de crença são verdadeiras...isso não é possível. Vejamos o que Norman Geisler e Frank Turek dizem a respeito:


Verdade versus tolerância

  "Enquanto a maioria das religiões tem algumas crenças que são verdadeiras, nem todas as crenças religiosas podem ser verdadeiras porque elas são mutuamente excludentes, ou seja, ensinam coisas opostas. Em outras palavras, algumas crenças religiosas devem estar erradas. Mas não é conveniente dizer isso no mundo atual. Você deve ser "tolerante" com todas as crenças religiosas. EM nossa cultura atual, a tolerância não significa mais suportar alguma coisa que você acha que é falsa (além do mais, você não tolera coisas com as quais concorda). Hoje em dia, tolerância significa aceitar que toda a crença é verdadeira! Em um contexto religioso, isso é conhecido como pluralismo religioso - a crença de que todas as religiões são verdadeiras. Existe um grande número de problemas com essa nova definição de tolerância.
   Em primeiro lugar, digamos que somos gratos por termos liberdade religiosa em nosso país e que não acreditamos na imposição legislativa e uma religião (consulte nosso livro Legislating Morality [Legislando sobre a moralidade]). Estamos bastante  conscientes dos perigos da intolerância religiosa e acreditamos que devemos respeitar as pessoas que têm diferentes crenças. Mas isso não significa que devamos abraçar pessoalmente a impossível noção de que todas as crenças religiosas sejam verdadeiras. Uma vez que crenças religiosas mutuamente excludentes não podem ser verdadeiras, não faz sentido fingir que sejam. O fato é que, no nível individual, pode ser muito perigoso fazer isso. Se o cristianismo é verdadeiro, então não ser cristão é arriscar seu destino eterno. Do mesmo modo, se o islã é verdadeiro, então é perigoso não ser muçulmano se o assunto é o seu destino final.
   Em segundo lugar, a afirmação de que "você não deve questionar as crenças religiosas de uma pessoa" é, ela própria, uma crença religiosa para o pluralista. Mas essa crença é apenas tão exclusiva e "intolerante" como qualquer outra crença religiosa de um cristão ou de um muçulmano. Em outras palavras , os pluralistas acham que as crenças não pluralistas estão erradas. Desse modo , os pluralistas são tão dogmáticos e possuem uma mente fechada tanto quanto qualquer outra pessoa que faz declarações em praça pública. Eles querem que todo mundo que discorda deles veja as coisas da maneira deles.
   Em terceiro lugar, a proibição contra o questionamento das crenças religiosas também é uma posição moral absoluta. Por que não devemos questionar as crenças religiosas? Seria imoral fazer isso? Se é, em quais padrões estamos nos baseando? Por acaso os moralistas têm alguma boa razão que apóie sua crença de que nós não devemos questionar suas crenças religiosas, ou é apenas sua opinião pessoal que querem impor sobre todos nós ? A não ser que eles possam nos dar boas razões para tal padrão moral , por que deveríamos permitir que o impusessem sobre nós ? E por que os pluralistas estão tentando impor essa posição moral sobre nós de qualquer maneira ? Isso não é muito " tolerante " da parte deles.
   Em quarto lugar, a Bíblia ordena aos cristãos que questionem as crenças religiosas (e.g., Dt 13.1-5; lJo 4.1; GI1.8; 2Co 11.13 etc.). Uma vez que os cristãos têm uma crença religiosa que diz que devem questionar as crenças religiosas, então os pluralistas - de acordo com seu próprio padrão - deveriam aceitar a crença cristã também . Mas, naturalmente , não fazem isso. Ironicamente, os pluralistas - defensores da nova tolerância - não são nem um pouco tolerantes. Eles apenas "toleram" aqueles com os quais já concordam, o que , por definição, não é tolerância .
   Em quinto lugar, a afirmação dos pluralistas de que não devemos questionar as crenças religiosas é um derivativo da falsa proibição cultural em relação a se fazer julgamentos. A proibição contra julgamentos é falsa porque ela não satisfaz o seu próprio padrão: "Você não deve julgar" é, em si mesmo , um julgamento! (Os pluralistas interpretam erradamente a ordem de Jesus quanto a não julgar, conforme apresentada em Mateus 7.1-5. Jesus não proibiu um julgamento como esse , mas sim o julgamento hipócrita.) O fato é que todo mundo - pluralistas, cristãos , ateus, agnósticos - faz julgamentos . Portanto , a questão não é se fazemos ou não julgamentos, mas se fazemos ou não o julgamento correto .
   Em último lugar, será que os pluralistas estão prontos para aceitar como verdadeiras as crenças religiosas dos terroristas muçulmanos , especialmente quando essas crenças dizem que todos os não-muçulmanos (incluindo os pluralistas) devem ser mortos ? Estão prontos para aceitar como verdadeiras as crenças religiosas daqueles que acreditam no sacrifício de crianças ou na realização de outros atos hediondos ? Esperamos que não .
  Embora devamos respeitar os direitos que os outros têm de acreditarem na­quilo que quiserem, seremos tolos e, talvez , até não amorosos , se aceitarmos tacitamente todas as crenças religiosas como verdadeiras. Por que isso não seria amoroso ? Porque se o cristianismo é verdadeiro , então não seria amoroso sugerir a alguém que sua crença religiosa oposta também é verdadeira. Afirmar tal erro seria manter a outra pessoa no seu caminho rumo à destruição . Em vez disso, se o cristianismo é verdadeiro , devemos gentilmente lhes dizer a verdade , porque somente a verdade pode libertá-los. 

Paz e até.

segunda-feira, 8 de junho de 2015

A expectativa do homem e a ação de Deus

   Ontem na Escola Bíblica Dominical debatemos um assunto muito interessante. Nossa revista é da Editora Betel e nesse trimestre estamos estudando sobre Moisés, o legislador de Israel. E, durante nossa aula, nos vimos conversando acerca das expectativas humanas e a ação de Deus. Foi tão engrandecedor que acabei decidindo escrever esse post.
   Expectativa de acordo com a definição dada pelo dicionário significa 'estado de quem espera algum acontecimento, baseando-se em probabilidades ou na possível efetivação deste'. É normal do ser humano criar expectativa em torno das coisas e com isso somos levados a imaginar a melhor maneira (de acordo com nossa visão) das coisas acontecerem. Planejamos mentalmente a forma ideal para que as coisas aconteçam e esperamos que assim seja. Só que, na grande maioria das vezes, os acontecimentos se dão de forma completamente diferente daquilo que desejávamos. Foi o que aconteceu com o povo de Israel. A Bíblia diz que após 430 anos no Egito onde foram escravizados e oprimidos, clamaram a Deus por um livramento. E então Deus agiu. Só que não da maneira que esperavam. Talvez pensassem que, a partir do momento que Deus agisse a favor deles, não teriam mais que vivenciar a dor e o sofrimento. Mas aconteceu o oposto, Deus enviou Moisés para libertar o povo do Egito e, quando ele, junto de Arão, se apresentou diante de Faraó, a opressão sobre os israelitas aumentou. E, sem conseguir entender, o povo murmurou.
   Mais tarde, após saírem do Egito, da casa da servidão e experimentarem a liberdade pela primeira vez, o povo se deparou com a sede e reclamou. Ao sentirem vontade de comer carne,  reclamaram novamente. Vez após vez, eles reclamaram. A ação de Deus sobre a vida deles não correspondia a expectativa. Entenda, não estou falando que a ação de Deus seja imperfeita, pelo contrário, o que quero enfatizar é a dificuldade humana de reconhecer que os pensamentos de Deus são mais altos que os nossos: "Porque assim como os céus são mais altos do que a terra, assim são os meus caminhos mais altos do que os vossos pensamentos" (Is 55:9). O deserto era só de passagem, e serviria para conhecerem a Deus e aprenderem a depender dele e a relacionarem-se com ele com intimidade: "E te lembrarás de todo o caminho, pelo qual o Senhor teu Deus te guiou, no deserto estes quarenta anos, para te humilhar, e te tentar, para saber o que estava no teu coração, se guardarias os seus mandamentos, ou não. E te humilhou, e te deixou ter fome, e te sustentou com o maná, que tu não conheceste, nem teus pais o conheceram; para te dar a entender que o homem não viverá só de pão, mas que de tudo o que sai da boca do Senhor viverá o homem" (Dt 8:2,3). Mas eles não conseguiam entender isso.
   É fácil recriminar a atitude dos israelitas durante a jornada no deserto, afinal eles comiam maná que descia dos céus todos os dias, água jorrou da rocha, Deus enviou codornizes, Deus os ajudou a vencer batalhas, mas, sem perceber, tomamos atitudes bastante parecidas ao longo de nossa caminhada aqui nessa terra. Quantas vezes reclamamos de situações que enfrentamos? Das dificuldades que surgem no trajeto e que tornam mais árdua a conquista pela casa própria, pelo emprego dos sonhos e tantas outras coisas? Os israelitas só conseguiam enxergar as dificuldades e adversidades da jornada. Haviam tantas manifestações de Deus, tantas bênçãos e eles simplesmente diziam 'tenho saudade dos pepinos e cebolas do Egito': " Lembramos dos peixes que no Egito comíamos de graça, e dos pepinos, e dos melões, e dos porros, e das cebolas, e dos alhos" (Nm 11:5).
   A todo momento rejeitavam ao que Deus lhes proporcionava, simplesmente porque não era do jeito que eles queriam. Também rejeitamos as bênçãos de Deus quando não conseguimos ser felizes com o que ele nos proporcionou.  Quando olhamos a vida dos outros, a família dos outros, o emprego dos outros e reclamamos que nossa vida não é tão boa quanto a deles. Olhe ao seu redor, pra sua família, pra sua vida, sua saúde, pro fato de ter se levantado hoje, olhe pra o quanto Deus te amou enviando Jesus pra morrer em seu lugar, pra que você pudesse experimentar a salvação. Deixe de adiar a sua felicidade pra amanhã, pra o dia em que aquela 'coisa' acontecer. Viver bem e ser feliz nem sempre andam juntos, mas você pode escolher ser feliz independente das circunstâncias se permitindo adquirir intimidade com Deus enquanto estiver nessa jornada. Foi o que o apóstolo Paulo escolheu: "Não digo isto como por necessidade, porque já aprendi a CONTENTAR-ME com o que tenho. Sei estar abatido, e sei ter abundância; em toda a maneira, e em todas as coisas estou instruído, tanto a ter fartura, como a ter fome; tanto a ter abundância, como a padecer necessidade. Posso todas as coisas naquele que me fortalece" (Fp 4:11-13). Contentamento em qualquer situação não é conformismo. Não é errado desejar coisas boas e lutar por elas, mas quando aprendemos a nos contentar independente da situação, descobrimos que só dependemos de Deus pra sermos  verdadeiramente felizes. Isso é libertador. Experimente!
   Israel havia saído do Egito, mas ainda possuía mente de escravo. Não deixe de experimentar a graça abundante de Deus sobre a sua vida por causa de uma mentalidade atrofiada, busque renovação de seu entendimento pra que possa vivenciar toda a liberdade que há em Cristo Jesus: "Foi para a liberdade que Cristo nos libertou! Portanto, permanecei firmes e não vos sujeiteis outra vez a um jugo de escravidão" (Gl 5:1). 

Deus vos abençoe.
Paz e até.

sábado, 30 de maio de 2015

A morte não é o fim

   Essa semana perdemos alguém muito especial na nossa família. Foram meses de luta e esperança de que ela se recuperaria, mas não foi o que aconteceu. É tão estranho que o mundo continue o mesmo...o dia amanhece...o sol ainda brilha...o vento balança as árvores...as crianças brincam lá fora...e todas as pessoas continuam vivendo suas vidas normalmente. Quando a gente está enlutado, parece tão injusto que o mundo continue girando...temos a sensação de que todos deveriam notar que alguém muito querido se foi. Mas não é o que acontece...a vida continuará seguindo seu curso.
   Embora todos nós tenhamos que morrer um dia (a menos que Cristo volte antes), não acho a morte uma coisa natural. É certo que a morte vem de alguma forma, seja pela doença, pela idade avançada, algum acidente e etc...ainda assim nunca consegui enxergá-la como algo natural. É tão comum palavras de consolo que trazem o discurso: "Foi a vontade absoluta de Deus", "Deus cumpriu sua vontade". Mas eu não vejo assim. Quando Deus criou o homem não o criou para morrer, a morte foi uma consequência do pecado, consequência da desobediência a uma ordem direta dada por Deus: "E ordenou o Senhor Deus ao homem, dizendo: De toda  a árvore do jardim comerás livremente, mas da árvore da ciência do bem e do mal, dela não comerás; porque, no dia em que dela comeres, certamente morrerás". (Gn 2:16,17).
   Deus não nos criou para a morte, mas o pecado original abriu as portas para que a morte entrasse no mundo: "Pelo que, como por um homem entrou o pecado no mundo, e pelo pecado a morte, assim também a morte passou a todos os homens por isso que todos pecaram". (Rm 5:12). Morte traz tristeza, questionamentos e, às vezes, até mesmo revolta, mas precisamos, mesmo diante da perda e de toda dor que ela traz, voltar nossos olhos para as promessas de Deus acerca da vida eterna. O reino da morte já tem seu fim determinado por Deus: "Ora o último inimigo que há de ser aniquilado é a morte." (I Co 15:26); "E a morte e o inferno foram lançados no lago de fogo; esta é a segunda morte". (Ap 20:14). A promessa de Deus para os salvos em Cristo Jesus é de que um dia já não haverá mais morte: "E Deus limpará de seus olhos toda a lágrima; e não haverá mais morte, nem pranto, nem clamor, nem dor; porque já as primeiras coisas são passadas" (Ap 21:4).
   Não podemos perder nossa esperança e certeza no cumprimento das promessas de Deus. Os que não tem Deus, se desesperam, desacreditam da vida, revoltam-se (até mesmo contra Deus) diante das situações que enfrentam, mas quem serve a Deus precisa entender que a vida não se resume a esse instante que vivemos nessa terra. Há vida após a morte, há vida eterna para os filhos de Deus e todos nos reencontraremos um dia: "Não quero, porém, irmãos, que sejais ignorantes acerca dos que já dormem, para que não vos entristeçais, como os demais, que não têm esperança. Porque, se cremos que Jesus morreu e ressuscitou, assim também aos que em Jesus dormem, Deus os tornará a trazer com ele. Dizemo-vos, pois, isto pela palavra do Senhor: que nós, os que ficarmos vivos para a vinda do Senhor, não precederemos os que dormem. Porque o mesmo Senhor descerá do céu com alarido, e com voz de arcanjo, e com a trombeta de Deus; e os que morreram em Cristo ressuscitarão primeiro. Depois nós, os que ficarmos vivos, seremos arrebatados juntamente com eles nas nuvens, a encontrar o Senhor nos ares, e assim estaremos sempre com o Senhor, portanto, consolai-vos uns aos outros com estas palavras". (I Ts4:13-18). Essa é a minha esperança!!!Na eternidade, sem sentir saudade vamos adorar a Deus! Vamos adorar a Deus!
   Jacqueline, descanse em paz! Não foi um adeus e sim um até breve!

R.I.P.

terça-feira, 10 de fevereiro de 2015

A provisão diária

   "Então disse o Senhor a Moisés: Eis que vos farei chover pão dos céus, e o povo sairá e colherá cada dia a porção para cada dia, para que eu veja se anda em minha lei ou não" (Ex 16:4).
   O cuidado de Deus para com o seu povo é fortemente evidenciado por toda a Bíblia. E não é diferente nesse trecho. O povo havia saído do Egito com grande manifestação do poder de Deus, e chegam até o deserto de Sim, entre Elim e Sinai. Ao chegarem ali, todo o povo murmurou contra Moisés e Arão. Estavam no deserto e queriam comida e foi justamente aí que começaram a se lembrar das coisas que comiam no Egito e se lamentaram: "E os filhos de Israel disseram-lhes: Quem dera que nós morrêssemos por mão do Senhor na terra do Egito. quando estávamos sentados junto às panelas da carne, quando comíamos pão até fartar! Porque nos tendes tirado para este deserto, para matardes de fome a toda esta multidão" (Ex 16:3). Esqueceram de todo o sofrimento que haviam passado no Egito por causa das necessidades atuais. Foi tão fácil achar que o passado havia sido melhor e se esquecer de que a retirada do Egito fora uma grande providência de Deus. E se Deus, com mão forte e braço estendido os havia tirado da escravidão, o que mais Ele não faria pelo seu povo? E aí Deus diz a Moisés: "Então disse o Senhor a Moisés: Eis que vos farei chover pão dos céus, e o povo sairá e colherá cada dia a porção para cada dia, para que eu veja se anda em minha lei ou não" (Ex 16:4).
   A provisão seria diária e o povo teria que confiar nesse cuidado de Deus. Todos os dias, eles levantariam e recolheriam alimento suficiente apenas para aquele dia. Quando tentavam guardar, preocupados com o dia de amanhã, o alimento se estragava e se enchia de bichos. Era necessário confiar em Deus todos os dias, confiar que Ele enviaria o suficiente para viverem mais um dia.
  Normalmente temos muita dificuldade em ter esse tipo de confiança. É normal do ser humano se preocupar antes do tempo, antecipar problemas e sofrimentos que muitas vezes nem sequer chegam a acontecer. Nos programamos, planejamos, preparamos tudo para que as coisas saiam bem durante muito tempo e nos esquecemos de que o suficiente para cada dia está sob o controle de Deus.
   E Jesus fala sobre isso aos discípulos quando estes pedem que os ensine a orar: "O pão nosso de cada dia nos dá hoje" (Mt 6:11). Jesus ensina sobre comunhão, confiança e dependência de Deus na provisão diária. É claro que Jesus não está falando que devemos nos acomodar e esperar que tudo caía literalmente do céu. O trabalho foi uma tarefa dada pelo próprio Deus ao homem. O que Jesus ensina é que Deus cuida de nós. Deus é o nosso provedor e o cuidado dEle por nós é ativo todos os dias. Todos os dias as suas misericórdias se renovam e por isso não somos consumidos: "As misericórdias do Senhor são a causa de não sermos consumidos, porque as suas misericórdias não têm fim; Novas são a cada manhã; grande é a tua fidelidade" (Lm 3:22,23). 
   Não são os nossos projetos, os nossos planos, a nossa inteligência, a causa de nosso sucesso. Tudo isso é de extrema importância, mas a causa de não sermos consumidos nos desertos que enfrentamos ao longo da vida, é porque as misericórdias do Senhor se renovam a cada manhã, fazendo com que a provisão necessária para mais um dia esteja presente para nos sustentar. E isso não fala apenas de coisas materiais, do alimento físico, isso fala de cuidado com o nosso ser espiritual. Ainda que enfrentemos a doença, as perdas, a morte...mesmo assim não seremos consumidos, pois no Senhor até mesmo a morte é só o início de uma nova vida: a vida eterna.
 Paz e até.