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terça-feira, 5 de dezembro de 2017

O desejo por mais de Deus

 
O capítulo 33 de Êxodo começa com Deus dizendo a Moisés que não iria no meio do povo, antes enviaria um anjo:"Disse mais o Senhor a Moisés: Vai, sobe daqui, tu e o povo que fizeste subir da terra do Egito, à terra que jurei a Abraão, a Isaque, e a Jacó dizendo: À tua semente a dareis. E enviarei um anjo diante de ti, e (lançarei fora os cananeus, e os amorreus, e os heteus, e os perizeus, e os heveus, e os jebuseus)" (Êx 33:1,2) . Isso aconteceu logo após o povo ter erigido um bezerro de ouro enquanto Moisés estava no Monte Sinai recebendo a Lei. Cansados de esperar pelo retorno de Moisés, erigiram um ídolo que substituísse o Deus de Israel.
   É interessante notar que o texto deixa claro que Moisés gozava de muita intimidade com Deus: "E falava o Senhor a Moisés cara a cara, como qualquer fala com o seu amigo" (Êx 33:11b). Mas mesmo gozando de tamanha intimidade, Moisés não abre mão da presença de Deus no meio do povo. Ele usa alguns argumentos que se encontram nos versículos 12 e 13 do capítulo 33: "E Moisés disse ao Senhor: Eis que tu me dizes: Faze subir a este povo; porém não me fazes saber a quem hás de enviar comigo; e tu disseste; Conheço-te por nome, também achaste graça aos meus olhos. Agora pois, se tenho achado graça aos teus olhos, rogo-te que agora me faças saber o teu caminho, e conhecer-te-ei, para que ache graça aos teus olhos e atenta que esta nação é teu povo".
  • O Senhor me mandou liderar o povo (Êx 33:12);
  • O Senhor disse que me conhece por nome (Êx 33:12);
  • O Senhor disse que achei graça aos teus olhos (Êx 33:12);
  • Logo, se achei graça aos teus olhos quero saber o teu caminho (saber a tua vontade) e conhecer-te-ei (Êx 33:13);
  • Atenta que o povo que estou liderando é teu (Êx 33:13).
   No versículo 14, Deus responde a Moisés dizendo que irá com ele: "Disse pois: irá a minha presença contigo para te fazer descansar" (Êx 33:14). Mas Moisés queria mais, ele queria a presença de Deus não apenas para si mesmo, mas também no meio do povo. Ele continua clamando e intercedendo pela presença de Deus no meio do povo: "Então disse-lhe: Se a tua presença não for conosco, não nos faça subir daqui. Como pois se saberá agora que tenho achado graça aos teus olhos, eu e o teu povo? Acaso não é por andares tu conosco e separados seremos, eu e o teu povo, de todo o povo que há sobre a face da terra?" (Êx 33:15,16). Deus então promete que irá com o povo: "Então disse o Senhor a Moisés: Farei também isto, que tens dito; porquanto achaste graça aos meus olhos, e te conheço por nome" (Êx 33:17).
   Moisés já havia obtido a promessa da presença de Deus com ele e com o povo, mas, mesmo assim, ele não se contenta. Ele roga a deus que lhe mostre a sua glória:"Então ele disse: Rogo-te que me mostres a tua glória" (Êx 33:18). Havia em Moisés um desejo sempre crescente por mais de Deus, uma espiritualidade sempre crescente. O relacionamento com Deus não é algo estático, parado, pode sempre crescer mais em intimidade, comunhão, amor. Moisés queria sempre mais de Deus.
   O pedido de Moisés para que Deus lhe mostre a sua glória foi atendido por Deus: "Porém ele disse: Eu farei passar toda a minha bondade por diante de ti, e apregoarei o nome do Senhor diante de ti; e terei misericórdia de quem eu tiver misericórdia. e me compadecerei de quem me compadecer." (Êx 33:19). Deus saciou o desejo de Moisés por mais dele. Deus está pronto a saciar o nosso desejo por mais dele, pois esse é o fim principal do homem: glorificar a Deus e gozá-lo para sempre (Breve Catecismo de Westminster - Pergunta 1 - ref: Rm 11:36; I Co 10:31; Sl 73:25-26; Is 43:7; Rm 14:7,8; Ef 1:5-6; Is 60:21; 61:3).
   Quando Moisés novamente sobe ao Monte Sinai por ordem do Senhor para receber as novas tábuas contendo os dez mandamentos, ao descer a pele do seu rosto resplandecia: "Quando desceu Moisés do monte Sinai, tendo nas mãos as duas tábuas do Testemunho, sim, quando desceu do monte, não sabia Moisés que a pele do seu rosto resplandecia, depois de haver Deus falado com ele" (Êx 34:29). Moisés vivia uma espiritualidade sempre crescente, sempre indo mais profundo no relacionamento com Deus. A sua relação com Deus emanava pelo reflexo da glória de Deus em sua face. E é maravilhoso saber que em Jesus podemos gozar de glória ainda maior: "E, se o ministério da morte, gravado com letras em pedras, se revestiu de glória, a ponto de os filhos de Israel não poderem fitar a face de Moisés, por causa da glória do seu rosto, ainda que desvanecente, como não será de maior glória o ministério do Espírito!" (II Co 3:7,8). 
   Podemos gozar sempre mais e mais da poderosa presença de Deus nas nossas vidas, podemos viver uma espiritualidade crescente (embora isso não signifique isenção de momentos de fraqueza ou abatimento), podemos gozar de uma glória que não é desvanecente, pois estamos vivendo o "estágio final do plano de Deus para os tempos: a era da nova aliança" (Bíblia Genebra).
   Que o Deus que opera tanto o querer como o realizar, segundo a sua boa vontade (Fp 2:13), nos leve a desejar ardentemente cada vez mais dele!

Paz e até.

terça-feira, 28 de novembro de 2017

Arrependei-vos!

   Em vez de perguntar se alguém quer "aceitar" Jesus, o Evangelho chama o homem ao arrependimento. João Batista, aquele acerca de quem Isaías profetizara que prepararia o caminho para o Salvador, clamava no deserto convocando ao arrependimento: "Arrependei-vos porque é chegado o reino dos céus" (Mt 3:2). Sua mensagem atraía pessoas de Jerusalém, Judeia e província adjacente ao Jordão. Confessando seus pecados, eram por ele batizadas no rio Jordão: "Então saíam a ter com ele Jerusalém, toda a Judeia e toda a circunvizinhança do Jordão; e eram por ele batizados no rio Jordão, confessando os seus pecados" (Mt 3:5,6).
   De acordo com João Calvino: "Se alguém busca na Palavra de Deus uma diferença entre o batismo de um e o de outro (de João e de Cristo), a única diferença que encontrará é que João batizava em nome de alguém que viria, e os apóstolos, em nome de alguém que já veio".
   Jesus deixou claro, ao ser questionado por comer com publicanos e pecadores, que veio chamar pecadores ao arrependimento:
"Ide, porém, e aprendei o que significa: Misericórdia quero e não holocaustos; pois não vim chamar justos, e sim pecadores [ao arrependimento]" (Mt 9:13).
   Pedro, após a descida do Espírito Santo no Pentecostes, levantou-se com ousadia e anunciou a mensagem de salvação aos presentes. O discurso compungiu o coração das pessoas, levando-as a perguntarem o que deveriam fazer. A resposta de Pedro deixou clara a necessidade de arrependimento:
"Arrependei-vos, e cada um de vós seja batizado em nome de Jesus Cristo para remissão dos vossos pecados" (At 2:37,38). Os que receberam a palavra foram batizados, havendo um acréscimo de quase 3.000 pessoas: "Então os que aceitaram a palavra foram batizados, havendo um acréscimo naquele dia de quase três mil pessoas" (At 2:41).
   O batismo é a admissão pública na igreja visível, um sinal e selo do ingresso no Reino de Deus. Naquele dia, a mensagem do evangelho levou quase 3.000 pessoas a serem batizadas e incluídas como membros da igreja visível.
   Era com o brado em alta voz que os apóstolos convocavam os homens: ARREPENDEI-VOS!
   Esse deve ser o brado da igreja!

Paz e até!

sábado, 22 de abril de 2017

O Fruto do Espírito

"Mas o fruto do Espírito é: amor, gozo, paz, longanimidade, benignidade, bondade, fé, mansidão, temperança.
Contra essas coisas não há lei" (Gl 5:22, 23).

   De acordo com o dicionário fruto significa prole, filho, efeito, resultado, utilidade, rendimento. No sentido bíblico, o fruto está associado a nossas atitudes: "Assim, toda a árvore boa produz bons frutos, e toda árvore má produz frutos maus. Não pode a árvore boa das maus frutos, nem a árvore má dar frutos bons. Toda a árvore que não dá bom fruto corta-se e lança-se no fogo. Portanto, pelos seus frutos os conhecereis" (Mt 7: 17 - 20).
   O fruto é resultado de nossa ligação, como varas, à videira que é Cristo: "Eu sou a videira verdadeira, e meu Pai é o lavrador. Toda vara em mim, que não dá fruto, a tira; e limpa toda aquela que dá fruto, para que dê mais fruto. Vós já estais limpos, pela palavra que vos tenho falado. Estai em mim, e eu em vós; como a vara de si mesma não pode dar fruto, se não estiver na videira, assim também vós, se não estiverdes em mim. Eu sou a videira, vós as varas; quem está em mim, e eu nele, esse dá muito fruto; porque sem mim nada podeis fazer" (Jo 15: 1-5). É essa ligação que propicia a produção de frutos que permanecem, pois os frutos não são atos momentâneos, mas sim atos que passam a fazer parte do caráter. O bom fruto só pode ser produzido porque estamos em Cristo e não através de um esforço humano. O fruto que é produzido pela nossa ligação em cristo é constante, permanece para sempre.
   O fruto do Espírito é a manifestação do próprio caráter de Cristo em nós, tornando-nos cada vez mais parecidos com Ele, produzindo mudança de dentro para fora.
   Podemos perceber que a palavra fruto no texto de Gálatas encontra-se no singular e não no plural, significando que é um fruto subdividido em 9 atributos que tem no amor a sua origem: "Amados, amemo-nos uns aos outros; porque o amor é de Deus; e qualquer que ama é nascido de Deus e conhece a Deus. Aquele que não ama não conhece a Deus; porque Deus é amor" (I Jo 4: 7-8). Note-se que esse amor é o amor citado em I Co 13, amor sacrificial, amor ágape que vem do próprio Deus. Somente alguém dotado desse amor pode desenvolver esses atributos.
   No texto da carta de Paulo aos Gálatas é perceptível a diferença entre as obras da carne e o fruto do Espírito. Paulo estabelece parâmetros que diferenciam os que são de Deus daqueles que não são. Muita gente quer tomar posse de bênçãos materiais, mas não se interessam em tomar posse da maior de todas as bênçãos: a vitória sobre o pecado através do sangue de Jesus Cristo. Preferem usar a desculpa de que a carne é fraca, ao invés de decidirem experimentar o novo nascimento operado por nosso Senhor Jesus e viver uma nova vida onde o fruto seja produzido por intermédio do Espírito Santo.
   O fruto do Espírito é demonstrado nas relações com os outros. Se há uma coisa difícil nessa vida são os relacionamentos humanos. Afinal de contas ninguém é exatamente igual a ninguém. Lidamos muitas vezes com pessoas difíceis, com situações delicadas, onde as boas atitudes dependerão diretamente se temos ou não o fruto do Espírito. Muitos dizem-se nascidos de novo, mas brigam, gritam, iram-se sem motivo, escandalizam, são grosseiros no trato com os outros...É quando somos confrontados que poderemos mostrar a verdadeira mudança operada em nós.
   Compõem o fruto do Espírito:

  • Amor - Amor ágape, amor divino. Emana de Deus para o homem (I Co 13 - um tratado sobre o amor).
  • Paz - Não é ausência de conflito, mas tranquilidade mesmo em meio a dificuldades. Essa paz excede a todo entendimento (Fp 4:7).
  • Alegria (gozo) - Resultado de um senso de bem estar e prazer na presença de Deus e que deriva de intimidade com Deus. Não está baseada em circunstâncias externas, mas no relacionamento com Deus (Fp 4:4).
  • Longanimidade - Paciência, tolerância.
  • Benignidade - Gentileza e bondade.
  • Bondade - Boa índole, qualidade do que é bom.
  • Domínio próprio - Temperança, autocontrole. Ajuda-nos a rejeitar o mal, dando-nos capacidade para discernir entre o que é certo e o que é errado.
  • Mansidão - Placidez e modéstia (Mt 5:5).
  • Fidelidade (fé) - Lealdade. Quando se possui essa característica independente de qualquer situação mantemos a fé em Deus e em sua palavra.
   Que o Espírito Santo nos ajude a sermos transformados à semelhança de Cristo até que cheguemos à estatura de perfeição.

Paz e até.

segunda-feira, 13 de março de 2017

A salvação da casa de Noé.

   "Noé porém, achou graça aos olhos do Senhor". (Gn 6:8)


 Imagine viver em meio à uma sociedade completa e totalmente corrompida e afastada de Deus e ainda assim fazer a diferença? Imaginou? Pois é, Noé conseguiu tal feito.

   A Bíblia diz que Noé viveu num período onde havia corrupção generalizada sobre a terra: "A terra, porém, estava corrompida diante da face de Deus; e encheu-se a terra de violência. E viu Deus q terra, e eis que estava corrompida; porque toda carne havia corrompido o seu caminho sobre a terra" (Gn 6:11, 12). Mas em meio à corrupção, Deus vê Noé e lhe anuncia o juízo que viria sobre toda a terra.
   Noé recebeu a incumbência de construir uma arca: "Então disse Deus a Noé: O fim de toda a carne é vindo perante a minha face porque a terra está cheia de violência; e eis que os desfarei com a terra" (Gn 6:13). Era uma experiência inédita na vida dele, um empreendimento para o qual ele não possuía recursos, uma tarefa árdua que Noé poderia simplesmente recusar. Ao olhar para o tamanho da responsabilidade que Deus estava lhe delegando, ele poderia focar nas suas limitações, e decidir pelo não. Mas Noé não achou graça aos olhos de Deus por ser covarde e sim pela sua coragem em ser diferente de toda a sociedade à sua volta. Noé estava acostumado a assumir desafios mesmo sem perceber, pois certamente não era nada fácil manter os preceitos do Senhor em meio à maldade generalizada.
   Com a tarefa da construção da arca e o anúncio do dilúvio vindouro, Noé recebe também a responsabilidade de anunciar à sua família o que Deus lhe falara: "Mas contigo estabelecerei o meu pacto; e entrarás na arca tu e os teus filhos, e a tua mulher, e as mulheres de teus filhos contigo" (Gn 6:18). A salvação que Deus tinha para Noé não era só para ele, ela incluía a sua família também. Agora imagine o quanto Noé precisava ser uma pessoa coerente para que sua família cresse em suas palavras. Um homem que vivesse uma vida de qualquer jeito, sem mostrar nas suas atitudes que mantinha um relacionamento com o Deus supremo certamente encontraria dificuldades para envolver a família neste ambicioso projeto. E é tão lindo quando vemos que Noé respondeu prontamente ao chamado: "Assim, fez Noé; conforme tudo o que Deus lhe mandou, assim o fez" (Gn 6:22).
   
   Quero salientar nesse devocional, algumas reflexões que Deus trouxe ao meu coração acerca das características da família de Noé:


  • Havia uma liderança. Fica claro quando lemos o texto de Gênesis 6 - 9 que a família de Noé possuía um líder. A família é o primeiro grupo ao qual fazemos parte e é de onde vem as influências mais fortes e importantes para a formação do indivíduo. É o primeiro local onde aprendemos e é de grande importância que haja liderança. Não falo de autoritarismo, de alguém que dê ordens como um general, mas de um líder que inspire, que motive, que veja antecipadamente os perigos que rondam a família, que ame e demonstre amor através do cuidado e dedicação. Todo ser humano precisa de afeto e de bom convívio familiar e nos precisamos atentar para isso.
  • Noé era um líder com intimidade com Deus. Uma boa liderança é maravilhoso, mas uma liderança com contato direto com Deus faz toda a diferença. O juízo estava prestes a acontecer, mas por ter achado graça aos olhos de Deus, Noé recebeu o aviso e as orientações necessárias para salvar a si mesmo e sua casa.
  • Noé era íntegro. "...Noé era varão justo e reto em suas gerações; Noé andava com Deus" (Gn 6:9b). Porque não basta dizer que é cristão tem que mostrar com atitudes diárias que somos de Deus, tem que andar com Deus.
  • Sua conduta foi importante para salvar sua família. Deus entregou a Noé todas as orientações necessárias para a construção da arca que salvaria toda a sua família. Ele tinha a responsabilidade de trabalhar arduamente, seguindo a direção dada por Deus para alcançar o bem para os seus. Sua parte era obedecer e trabalhar. Trabalhar pelo bem da família não é fácil, mas podemos receber a orientação necessária de Deus.
  • O que Noé estava construindo com sua família certamente chamava a atenção. A arca era um empreendimento grandioso: "Faça-a com cento e trinta e cinco metros de comprimento, vinte e dois metros e meio de largura e treze metros e meio de altura" (Gn 6:15 - NVI). Era provável que as pessoas ficassem curiosas com o que eles estavam construindo juntos. Pode não ter feito sentido para eles, mas a família de Noé sabia que valeria a pena o esforço. O que fazemos direcionados por Deus chama a atenção dos que estão à nossa volta e os resultados obtidos podem servir de testemunho do poder de Deus.
   A Bíblia diz que após a construção da arca, os casais de animais (sete casais de animais puros e um casal dos animais impuros), Noé e toda a sua família entraram na arca. Uma semana depois veio o dilúvio sobre a terra e a família dele foi salva. O apóstolo Paulo afirma que a responsabilidade com os da nossa família é nossa tarefa primeira: "Mas, se alguém não tem cuidado dos seus, e principalmente dos da sua família, negou a fé e é pior do que o infiel" (I Tm 5:8).
   A família de Noé não era perfeita, Noé não era perfeito. O episódio ocorrido após o dilúvio em que Noé se embebeda e é desrespeitado por seu filho prova isso, mas eles decidiram obedecer a voz de Deus e isso fez diferença na vida de todos eles. Nossa família não é perfeita, mas é projeto de Deus e para o bem dela vale a pena se esforçar, vale a pena seguir a ordem de Deus.


Paz e até.

quarta-feira, 22 de junho de 2016

Quando perdemos Jesus

"E, tendo ele já doze anos, subiram a Jerusalém à festa da páscoa; E, regressando eles, terminados aqueles dias, ficou o menino Jesus em Jerusalém, e não o soube José, nem sua mãe. Pensando, porém, eles que viria de companhia pelo caminho, andaram caminho de um dia, e procuravam-no entre os parentes e conhecidos; E, como não o encontrassem, voltaram a Jerusalém em busca dele. E aconteceu que, passados três dias, o acharam no templo, assentado no meio dos doutores, ouvindo-os e interrogando-os." (Lc 2:42-16)
  Já imaginou como seria ficar sem Jesus? Foi o que aconteceu com a família de Jesus. Eles o perderam e ficaram literalmente vários dias sem a sua presença e sem saber onde ele estava.

   A Bíblia não conta muitos detalhes da infância e adolescência de Jesus, Lucas é o único evangelho a relatar essa passagem em que nos deparamos com um Jesus pré-adolescente. O evangelho relata que todos os anos a família de Jesus subia a Jerusalém por ocasião da festa da páscoa. A Páscoa era uma das festas obrigatórias para os judeus. Numa dessas ocasiões, estando Jesus com doze anos de idade, a Bíblia diz que, ao terminar a festa, seus pais põem-se a caminho de casa. Era hora de voltar pra casa e todos tomaram o caminho de volta, mas e Jesus onde estava? Seus pais não o haviam visto, mas tinham confiança de que ele estivesse no meio da caravana deles, talvez com algum conhecido ou parente e, assim, iniciaram o regresso com tranquilidade sem saber que Jesus ficara em Jerusalém. Passa-se um dia inteiro até perceberem que algo estava errado. Não viram Jesus em momento algum e isso começa a preocupar. Procuram entre as pessoas e nada, até que decidem voltar a Jerusalém para encontrá-lo. Três dias depois conseguem encontrar Jesus no templo, no meio dos doutores.
   Não é interessante que tenham se posto a caminhar sem terem a plena certeza de que Jesus estava com eles? Podemos nos perguntar ao ler o texto, como alguém pode perder Jesus? Como não notaram antes que Jesus não estava com eles? Mas, infelizmente, essa história se repete ainda hoje. Essa história me faz lembrar de Sansão. Ele era um homem escolhido por Deus desde o ventre, um nazireu. Os nazireus deveriam viver uma vida bastante regrada, pois eram consagrados ao Senhor. A força de Sansão causava muita curiosidade nos seus inimigos, os filisteus. Sabiam que jamais poderiam vencê-lo sem saber como acabar com sua força. Daí decidiram usar Dalila que, dia após dia insistia para que Sansão lhe revelasse a fonte de sua força. Ele não podia revelar seu segredo, mas ao invés de cortar o mal pela raiz, achou que podia brincar com seu chamado. Depois de inventar várias justificativas para a sua força, finalmente ele acabou revelando que havia sido consagrado desde o ventre e que nunca havia cortado os cabelos. Dalila então o fez dormir e cortou as sete tranças do seu cabelo. Logo depois ela anunciou: "Os filisteus vêm sobre ti, Sansão." (Jz 16:20a). Ele acordou pensando que escaparia como das outras vezes, e então o texto nos revela algo profundamente triste que Sansão só vai se dar conta depois: "Porque ele não sabia que já o Senhor se tinha retirado dele" (Jz 16:20d). A negligência pelas coisas de Deus levou Sansão a um fim muito triste: preso, teve seus olhos furados e era exibido como troféu no templo de Dagom.
   A família de Jesus achava que tudo estava bem. Eles não viam Jesus, mas pensavam: "Ele está com nossa família e amigos, então tudo está bem". O convívio, o hábito, as repetições, a frequência aos cultos, os versículos decorados, parecem dizer-nos que Jesus está conosco incontestavelmente. Isso leva, muitas vezes, a uma vida de religiosidade vazia da presença de Deus, mas como ainda frequentamos o ambiente cristão, achamos que tá tudo certo. Esquecemos que é preciso manter um contato íntimo com o Mestre e não apenas cumprir rituais religiosos. Isaías alertou os israelitas para esse erro: "Eis que assim declara o Eterno: "Visto que este povo se chega junto a mim apenas com palavras sem atitude, e me honra somente com mover os lábios, enquanto seu coração está muito distante da minha pessoa. E a adoração que me prestam é constituída tão somente de regras e doutrinas criadas por homens" (Is 29:13). Os pais de Jesus não tinham contato com Jesus, mas acharam que tudo estava bem.
    
   Quando passamos à frente do Senhor Jesus, quando negligenciamos a sua Palavra, quando brincamos com as coisas de Deus, corremos um sério risco de o perdermos. Note que foram os pais de Jesus que seguiram o caminho sem verificar se Jesus estava indo com eles. Não foi Jesus que os abandonou. Da mesma forma, somos nós que decidimos nos afastar de Deus com nossas atitudes egoístas. Passamos à frente de Jesus quando ignoramos seus mandamentos e orientações e decidimos agir de acordo com nossa vontade, sabedoria humana e experiências passadas de sucesso. O sucesso que obtivemos no passado não é garantia de que obteremos vitória no futuro, somente Deus conhece o futuro e sabe como devemos agir.
   
   Depois de ficarem tanto tempo sem a presença de Jesus, era preciso fazer alguma coisa. A primeira coisa que os pais de Jesus fizeram foi reconhecer que Jesus não estava com eles e, a partir de então começaram a procurá-lo. Tiveram que retornar ao início, à Jerusalém. Era preciso rever conceitos, observar todos os seus passos até ali, reconstituir a trajetória até chegarem onde Jesus estava. Era preciso voltar: "Lembra-te, pois, de onde caíste, e arrepende-te, e pratica as primeiras obras." (Ap 2:5a). E, após retornarem ao local onde o haviam perdido, finalmente eles o encontram no templo. Não vou aqui dizer que você só poderá reencontrar Jesus na igreja, pois muitas vezes o perdemos sem nem mesmo deixar o templo. E ele também não se limita a espaços físicos. Mais do que ir a uma igreja é importante reconhecer que precisamos de Jesus na nossa vida, no nosso coração, habitando o templo que somos nós e buscá-lo até o encontrarmos. Uma boa notícia é que ele, de modo nenhum lança fora os que vão até ele.

Paz e até.

sábado, 30 de maio de 2015

A morte não é o fim

   Essa semana perdemos alguém muito especial na nossa família. Foram meses de luta e esperança de que ela se recuperaria, mas não foi o que aconteceu. É tão estranho que o mundo continue o mesmo...o dia amanhece...o sol ainda brilha...o vento balança as árvores...as crianças brincam lá fora...e todas as pessoas continuam vivendo suas vidas normalmente. Quando a gente está enlutado, parece tão injusto que o mundo continue girando...temos a sensação de que todos deveriam notar que alguém muito querido se foi. Mas não é o que acontece...a vida continuará seguindo seu curso.
   Embora todos nós tenhamos que morrer um dia (a menos que Cristo volte antes), não acho a morte uma coisa natural. É certo que a morte vem de alguma forma, seja pela doença, pela idade avançada, algum acidente e etc...ainda assim nunca consegui enxergá-la como algo natural. É tão comum palavras de consolo que trazem o discurso: "Foi a vontade absoluta de Deus", "Deus cumpriu sua vontade". Mas eu não vejo assim. Quando Deus criou o homem não o criou para morrer, a morte foi uma consequência do pecado, consequência da desobediência a uma ordem direta dada por Deus: "E ordenou o Senhor Deus ao homem, dizendo: De toda  a árvore do jardim comerás livremente, mas da árvore da ciência do bem e do mal, dela não comerás; porque, no dia em que dela comeres, certamente morrerás". (Gn 2:16,17).
   Deus não nos criou para a morte, mas o pecado original abriu as portas para que a morte entrasse no mundo: "Pelo que, como por um homem entrou o pecado no mundo, e pelo pecado a morte, assim também a morte passou a todos os homens por isso que todos pecaram". (Rm 5:12). Morte traz tristeza, questionamentos e, às vezes, até mesmo revolta, mas precisamos, mesmo diante da perda e de toda dor que ela traz, voltar nossos olhos para as promessas de Deus acerca da vida eterna. O reino da morte já tem seu fim determinado por Deus: "Ora o último inimigo que há de ser aniquilado é a morte." (I Co 15:26); "E a morte e o inferno foram lançados no lago de fogo; esta é a segunda morte". (Ap 20:14). A promessa de Deus para os salvos em Cristo Jesus é de que um dia já não haverá mais morte: "E Deus limpará de seus olhos toda a lágrima; e não haverá mais morte, nem pranto, nem clamor, nem dor; porque já as primeiras coisas são passadas" (Ap 21:4).
   Não podemos perder nossa esperança e certeza no cumprimento das promessas de Deus. Os que não tem Deus, se desesperam, desacreditam da vida, revoltam-se (até mesmo contra Deus) diante das situações que enfrentam, mas quem serve a Deus precisa entender que a vida não se resume a esse instante que vivemos nessa terra. Há vida após a morte, há vida eterna para os filhos de Deus e todos nos reencontraremos um dia: "Não quero, porém, irmãos, que sejais ignorantes acerca dos que já dormem, para que não vos entristeçais, como os demais, que não têm esperança. Porque, se cremos que Jesus morreu e ressuscitou, assim também aos que em Jesus dormem, Deus os tornará a trazer com ele. Dizemo-vos, pois, isto pela palavra do Senhor: que nós, os que ficarmos vivos para a vinda do Senhor, não precederemos os que dormem. Porque o mesmo Senhor descerá do céu com alarido, e com voz de arcanjo, e com a trombeta de Deus; e os que morreram em Cristo ressuscitarão primeiro. Depois nós, os que ficarmos vivos, seremos arrebatados juntamente com eles nas nuvens, a encontrar o Senhor nos ares, e assim estaremos sempre com o Senhor, portanto, consolai-vos uns aos outros com estas palavras". (I Ts4:13-18). Essa é a minha esperança!!!Na eternidade, sem sentir saudade vamos adorar a Deus! Vamos adorar a Deus!
   Jacqueline, descanse em paz! Não foi um adeus e sim um até breve!

R.I.P.

terça-feira, 10 de fevereiro de 2015

A provisão diária

   "Então disse o Senhor a Moisés: Eis que vos farei chover pão dos céus, e o povo sairá e colherá cada dia a porção para cada dia, para que eu veja se anda em minha lei ou não" (Ex 16:4).
   O cuidado de Deus para com o seu povo é fortemente evidenciado por toda a Bíblia. E não é diferente nesse trecho. O povo havia saído do Egito com grande manifestação do poder de Deus, e chegam até o deserto de Sim, entre Elim e Sinai. Ao chegarem ali, todo o povo murmurou contra Moisés e Arão. Estavam no deserto e queriam comida e foi justamente aí que começaram a se lembrar das coisas que comiam no Egito e se lamentaram: "E os filhos de Israel disseram-lhes: Quem dera que nós morrêssemos por mão do Senhor na terra do Egito. quando estávamos sentados junto às panelas da carne, quando comíamos pão até fartar! Porque nos tendes tirado para este deserto, para matardes de fome a toda esta multidão" (Ex 16:3). Esqueceram de todo o sofrimento que haviam passado no Egito por causa das necessidades atuais. Foi tão fácil achar que o passado havia sido melhor e se esquecer de que a retirada do Egito fora uma grande providência de Deus. E se Deus, com mão forte e braço estendido os havia tirado da escravidão, o que mais Ele não faria pelo seu povo? E aí Deus diz a Moisés: "Então disse o Senhor a Moisés: Eis que vos farei chover pão dos céus, e o povo sairá e colherá cada dia a porção para cada dia, para que eu veja se anda em minha lei ou não" (Ex 16:4).
   A provisão seria diária e o povo teria que confiar nesse cuidado de Deus. Todos os dias, eles levantariam e recolheriam alimento suficiente apenas para aquele dia. Quando tentavam guardar, preocupados com o dia de amanhã, o alimento se estragava e se enchia de bichos. Era necessário confiar em Deus todos os dias, confiar que Ele enviaria o suficiente para viverem mais um dia.
  Normalmente temos muita dificuldade em ter esse tipo de confiança. É normal do ser humano se preocupar antes do tempo, antecipar problemas e sofrimentos que muitas vezes nem sequer chegam a acontecer. Nos programamos, planejamos, preparamos tudo para que as coisas saiam bem durante muito tempo e nos esquecemos de que o suficiente para cada dia está sob o controle de Deus.
   E Jesus fala sobre isso aos discípulos quando estes pedem que os ensine a orar: "O pão nosso de cada dia nos dá hoje" (Mt 6:11). Jesus ensina sobre comunhão, confiança e dependência de Deus na provisão diária. É claro que Jesus não está falando que devemos nos acomodar e esperar que tudo caía literalmente do céu. O trabalho foi uma tarefa dada pelo próprio Deus ao homem. O que Jesus ensina é que Deus cuida de nós. Deus é o nosso provedor e o cuidado dEle por nós é ativo todos os dias. Todos os dias as suas misericórdias se renovam e por isso não somos consumidos: "As misericórdias do Senhor são a causa de não sermos consumidos, porque as suas misericórdias não têm fim; Novas são a cada manhã; grande é a tua fidelidade" (Lm 3:22,23). 
   Não são os nossos projetos, os nossos planos, a nossa inteligência, a causa de nosso sucesso. Tudo isso é de extrema importância, mas a causa de não sermos consumidos nos desertos que enfrentamos ao longo da vida, é porque as misericórdias do Senhor se renovam a cada manhã, fazendo com que a provisão necessária para mais um dia esteja presente para nos sustentar. E isso não fala apenas de coisas materiais, do alimento físico, isso fala de cuidado com o nosso ser espiritual. Ainda que enfrentemos a doença, as perdas, a morte...mesmo assim não seremos consumidos, pois no Senhor até mesmo a morte é só o início de uma nova vida: a vida eterna.
 Paz e até.

sexta-feira, 28 de novembro de 2014

A pessoa certa

   Quando se trata de assuntos do coração uma das perguntas que mais se faz é se existe realmente esse lance da pessoa certa. Alguns dirão, ao responder essa questão, que não, não existe nada disso, é pura ilusão. Bom, mesmo sabendo que existe um monte de gente que não acredita, eu acredito sim. Mas já vou deixando claro que minha crença em relação a pessoa certa nada tem a ver com aquela história de metade da laranja, de uma pessoa reservada pelo destino a ser o amor da vida de alguém e muito menos tem a ver com alma gêmea.
   O mito da alma gêmea foi criado pelo filósofo grego Platão. Em seu livro O Banquete, há um trecho em que Aristófanes conta a história da alma gêmea. Segundo ele, no início, os seres humanos eram completos, tinham duas cabeças, quatro pés e quatro pernas e viviam em perfeição. Numa tentativa de destronar os deuses, os homens teriam subido aos céus para lutar contra eles, mas foram derrotados e castigados por Zeus a serem divididos ao meio. Por isso, os homens, ao retornarem à terra, sentindo-se incompletos, passaram a buscar incessantemente sua outra metade. E eis que muita gente por aí realmente acredita que exista uma metade sua andando pela terra e que a completará perfeitamente. Não é nesse tipo de pessoa certa que eu acredito. A Bíblia diz que não somos metades, somos inteiros e a união de um homem e uma mulher resulta em uma matemática completamente diferente da teoria de duas metades que se juntam. Biblicamente, são duas pessoas que se unem e se tornam uma só: "Por essa razão, o homem deixará pai e mãe e se unirá à sua mulher, e eles se tornarão uma só carne" (Gn 2:24).
    Não existe uma fórmula mágica que possa ser dada e que funcione perfeitamente pra todo mundo. Somos diferentes, e nenhum relacionamento nunca é totalmente igual ao outro, mas quero compartilhar nesse texto algumas coisas que considero importantes quando se trata de achar a pessoa ideal. Também não tenho a pretensão de esgotar um assunto que considero inesgotável, apenas deixar alguns poucos conselhos. Vamos lá?
  • Não há nada de errado em se procurar alguém.
   A gente às vezes pensa que é errado procurar um namorado ou namorada. O erro não está em procurar, mas sim em procurar da forma errada. Um bom relacionamento simplesmente não vai cair do céu. Abraão sabia disso. Isaque precisava casar e a noiva não ia cair do céu, por isso Abraão enviou seu servo Eliézer à sua terra para que encontrasse uma esposa para Isaque. Só que Eliézer orou e pediu direção a Deus para não escolher errado:  Então orou: "Senhor, Deus do meu senhor Abraão, dá-me neste dia bom êxito e seja bondoso com o ­meu senhor Abraão. Co­mo vês, estou aqui ao lado desta fonte, e as jovens do povo desta cidade estão vindo para tirar água. Concede que a jovem a quem eu disser: Por favor, incline o seu cântaro e dê-me de be­ber, e ela me responder: 'Bebe. Também darei água aos teus camelos', seja essa a que escolhes­te para teu servo Isaque. Saberei assim que ­foste bondoso com o meu senhor". Antes que ele terminasse de orar, surgiu Rebeca, filha de Betuel, filho de Milca, mulher de Naor, irmão de Abraão, trazendo no ombro o seu cântaro (Gn24:12-15)". Buscar a direção de Deus é sempre o melhor caminho.
  • Não crie expectativas irreais.
   Já vi algumas pessoas criarem padrões absolutamente inatingíveis e depois reclamarem que não conseguem encontrar ninguém. Não estou dizendo que você deva se desvalorizar, nada disso, auto estima é tudo nessa vida, mas também entenda que não existe pessoa perfeita. Nem você é!! Então nada de tentar encontrar uma pessoa perfeita, porque simplesmente não encontrarás! 
  • Não entregue seu coração apressadamente.
   Se tem uma coisa que precisamos guardar é o nosso coração, pois dele procedem todas as outras coisas: "Sobre tudo o que se deve guardar, guarda o teu coração, porque dele procedem as fontes da vida (Pv 4:23)". Se você mal conhece a pessoa não faz sentido entregar seu coração. É importante ter cautela, deixe de "não vivo sem você", "você é o amor da minha vida", com uma semaninha de relacionamento. Você pode acabar se machucando. Nesse sentido procure alimentar sua auto estima, busque a presença de Deus e entenda o quanto é amado (a) por Deus. Lembre-se que: "A alma farta pisa o favo de mel, mas para a alma faminta todo amargo é doce" (Pv 27:7). Ou seja, uma pessoa bem resolvida sabe o valor que tem e não aceita qualquer coisa. O amor é paciente, não tem pressa: "O amor é paciente" (ICo 13:4). Já diz o ditado que só conhecemos bem uma pessoa depois de comermos um quilo de sal com ela, quer dizer, leva-se tempo para conhecer alguém.
  • Observe como seu (sua) pretendente se relaciona com a família.
   Se a pessoa não trata os próprios pais com respeito, imagine como tratará a pessoa com quem vier a se casar? A Bíblia é clara em relação ao tratamento que deve ser dispensado aos pais: " Honra a teu pai e a tua mãe, que é o primeiro mandamento com promessa" (Ef 6:2). 
  • Procure saber quais são os valores, sonhos e objetivos da pessoa.
   É importante saber onde se pode chegar num relacionamento. Muita gente tem a ilusão de que apenas o amor é suficiente, mas há uma série de outros fatores que são importantes. Por exemplo, se um dos dois deseja muito crescer profissionalmente e se esforça muito pra isso, enquanto o outro não pensa no futuro, não gosta de estudar, a probabilidade de problemas futuros devido a disparidade de pensamento é muito grande. Até mesmo quando se trata de vida espiritual e ministério é preciso conhecer os objetivos de cada um. Objetivos ministeriais divergentes, opostos também podem atrapalhar. Exemplo: O rapaz sonha em ser um pastor, a moça não suporta se imaginar como esposa de pastor=possíveis problemas.
  • Jamais abra mão da sua santidade por causa de ninguém.
   Não caia naquela velha conversa que ele é homem, tem suas necessidades...Todos temos necessidades, sejam elas físicas, emocionais ou espirituais, mas não somos animais irracionais que são levados única e exclusivamente pelo instinto. Somos seres racionais (ou pelo menos deveríamos ser), com capacidade de escolha e de controlar nossos impulsos. Quem ama respeita, quem ama espera. Se o fulano não consegue esperar, cuidado, casamento não se faz apenas com sexo. E quando a mulher estiver grávida? De resguardo? Doente? De TPM?  "Que cada um de vós saiba possuir o seu vaso em santificação e honra" (ITs 4:4); "Segui a paz com todos, e a santificação, sem a qual ninguém verá o Senhor" (Hb 12:14).
  • Busque alguém que sirva a Deus.
   De vez em quando ouço alguém reclamando que na igreja não tem ninguém pra namorar, aí te pergunto: se na igreja não tem, você vai procurar no mundão? LÓÓÓGICO que não! Namoro não é estratégia de evangelização. Se alguém te dissesse que se jogou na frente de um caminhão e sobreviveu sem um arranhão, isso te encorajaria a fazer o mesmo? Pois é, há quem use como exemplo uma pessoa que se casou com alguém que não compartilhava da mesma fé e deu certo, mas gente, isso é exceção. Há problemas que podem ser evitados, há preços que não precisamos pagar. A regra bíblica para nossa vida é: “Não vos ponhais em jugo desigual com os incrédulos…” (II Co 6:14). Nossa fé é o ponto mais importante de nossa vida e não dá pra negociar justamente no quesito que possui maior importância na vida de uma pessoa. Claro que um relacionamento entre pessoas que compartilham a fé no Senhor Jesus não está isento de problemas, mas uma coisa é certa, quando eles surgirem, os dois podem buscar socorro aos pés do mesmo Senhor.



    Espero que esse texto seja útil à sua vida. Deus vos abençoe.


Paz e até.


quinta-feira, 2 de outubro de 2014

A maior esperança

   O desânimo chega na nossa vida sem avisar, sem pedir licença. De repente chega. Às vezes bem no meio de algum projeto legal, de algo que você planejou realizar e até se empolgou no início. E, quando ele chega, traz uma sensação de que o que estamos fazendo não tem sentido e nem produzirá os resultados que esperamos. No início, ah, no início, era só alegria realizarmos o que esperamos tanto pra alcançar, mas o desânimo tem o poder de sugar as nossas forças e tirar todo significado das coisas que amamos fazer.
  Quando Paulo escreve a primeira carta aos tessalonicenses, os irmãos passavam por um período de crise. Eles haviam começado bem a caminhada cristã: "De fato, vocês se tornaram nossos imitadores e do Senhor, pois, apesar de muito sofrimento, receberam a palavra com alegria que vem do Espírito Santo. Assim, tornaram-se modelo para todos os crentes que estão na Macedônia e na Acaia. (I Ts 1:6,7). Mas algo deu errado no meio do caminho. Eles enfrentaram as dificuldades com garra, mas ao se depararam com a morte de seus entes queridos, viram-se incapazes de lidar com a situação e perdeu-se o sentido de tudo o que já haviam suportado. Para eles, não havia esperança para os que morriam antes da manifestação do Senhor Jesus. Essa concepção trouxe muita tristeza. Afinal, e se morressem? Do que teria servido todo sofrimento e fidelidade? O empenho fora logo substituído pela falta de ânimo.
   É em meio a esse turbilhão de sentimentos que recebem a carta do apóstolo Paulo. E nessa carta, Paulo faz uma das declarações mais lindas acerca da volta de Cristo: "Irmãos, não queremos que vocês sejam ignorantes quanto aos que dormem, para que não se entristeçam como os outros que não têm esperança. Se cremos que Jesus morreu e ressurgiu, cremos também que Deus trará, mediante Jesus e com ele, aqueles que nele dormiram. Dizemos a vocês, pela palavra do Senhor, que nós, os que estivermos vivos, os que estivermos vivos, os que ficarmos até a vinda do Senhor, certamente não precederemos os que dormem. Pois, dada a ordem, com a voz do arcanjo e o ressoar da trombeta de Deus, o próprio Senhor descerá dos céus, e os mortos em Cristo ressuscitarão primeiro. Depois nós, os que estivermos vivos seremos arrebatados com eles nas nuvens, para o encontro com o Senhor nos ares. E assim estaremos com o Senhor para sempre. Consolem-se uns aos outros com essas palavras" (I Ts 4:13-18).
   A morte não era o fim. A morte não seria impedimento para que gozassem da alegria de estar com Cristo eternamente. A morte não teria poder para impedir que a promessa de Jesus se cumprisse na vida deles. Ao soar da trombeta de Deus, mesmo a morte terá que sair em retirada.
  A volta do Senhor Jesus é a maior esperança que o cristão pode ter nessa vida. Quando olhamos à nossa volta e só conseguimos ver violência, injustiça, imoralidade, o desânimo parece querer nos pegar de jeito. Mas essa história não acaba assim, o final que Deus 'escreveu' para os seus filhos, não é esse.
  Independente dos motivos que nos levam a desanimar, podemos olhar para o Autor e Consumador da nossa fé e buscar nele o renovo necessário para recomeçar. Ainda há projetos de Deus a serem realizados através de nós e, mesmo que por um momento, não consigamos encontrar força suficiente, Deus renova as nossas forças e nos faz voar como águias. 
   Estamos vivos hoje. Isso é um presente dos céus pra nós. Os problemas e as dificuldades que surgem são oportunidades de aprendizado e podemos tomar a decisão de não nos deixar vencer pelo desânimo e pelo medo do fracasso. A decisão de como enfrentar os obstáculos cabe a cada um de nós. Eles são apenas temporais, o que Deus tem preparado pra nós é pra sempre. Jesus vai voltar!!! 
   Deixo pra vocês um vídeo de Nick Vujicic, que nasceu sem os braços e sem as pernas e poderia ter todos os motivos do mundo pra desistir, mas superou as dificuldades e hoje em dia dá palestras sobre esperança.

Paz e até

sábado, 30 de agosto de 2014

Escolha ser feliz

"O marido e a mulher não se falavam há uns três dias por uma discussão boba. Entretanto, o homem se lembrou que no dia seguinte teria uma reunião muito cedo no escritório.Como precisava levantar cedo, resolveu pedir a mulher para acordá-lo.Mas para não dar o braço a torcer e falar com ela, resolveu escrever em um papel:" - Me acorde às 6h horas da manhã".No outro dia, ele levantou e quando olhou o relógio eram 9h30.O homem teve um ataque de fúria e pensou: " - Mas que absurdo! Que falta de consideração, ela não me acordou...". Nisto, olhou para a mesa de cabeceira e reparou em um papel no qual estava escrito: " -...São seis horas, levanta!!!". Moral da História: Não fique sem conversar com as mulheres, elas ganham sempre, estão certas sempre e são simplesmente geniais na vingança!!!!!!O casamento é a relação entre duas pessoas, onde uma pessoa está sempre certa e a outra, bom, a outra é o marido que sempre ignora nossa sabedoria!"

   Um dia desses alguém me mostrou esse texto no facebook e minha primeira reação foi rir, mas depois fiquei muito incomodada. Tinha muitas curtidas e vários comentários, todos de apoio, de várias mulheres. Mas, gente, falando a sério, como podemos vivenciar um relacionamento saudável se acharmos que estamos sempre certos? Existe uma frase do poeta Ferreira Gullar que sempre me fez refletir: "Eu prefiro ser feliz do que ter razão". Às vezes perdemos ótimas oportunidades de sermos felizes só pra ter razão e isso não pode ser bom pra ninguém.
  Nos relacionamentos em geral, é preciso aprender abrir mão das nossas certezas pra vivermos bem. Não há como ter harmonia em um relacionamento onde todo mundo briga pra manter suas convicções. Sabe aquele negócio de deixar pra lá, de ceder? Isso faz um bem enorme. A gente precisa é aprender a amar as pessoas que estão à nossa volta, entendendo que cada minuto ao lado delas jamais se repetirá. E porque perder os bons momentos quando são coisas pequenas demais que nos afastam de quem a gente ama? Diálogo existe pra isso, pra nos ajudar a entender o outro, pra nos ajudar a nos colocarmos no lugar do outro.
   Tem uma música do Ministério de louvor Diante do Trono que acho linda e nela há uma frase especial: "Não tenho tempo pra perder com ressentimentos quando lembro que Ele (Deus) me ama". Precisamos aprender a deixar o egoísmo de lado e perceber que todo ressentimento é perda de tempo diante de tudo o que podemos vivenciar ao lado dos que amamos.
   Não perca o seu tempo com besteiras, tentando manter a sua razão, com aquele pensamento característico: 'não vou dar o braço a torcer', 'ele é que tem que me pedir desculpas'...A gente sempre pensa que sairá perdendo quando damos o primeiro passo em direção à reconciliação, principalmente se foi o outro quem nos ofendeu. Mas não há perdas na reconciliação, há apenas ganhos. Basta lembrar que nós ofendemos a Deus por causa do pecado e o próprio Deus tomou a iniciativa para nos reconciliar novamente com Ele: "E tudo isto provém de Deus, que nos reconciliou consigo mesmo por Jesus Cristo, e nos deu o ministério da reconciliação; Isto é, Deus estava em Cristo reconciliando consigo o mundo, não lhes imputando os seus pecados; e pôs em nós a palavra da reconciliação (II Co 5:19,20). Já parou pra pensar se Deus fizesse diferente? Estaríamos perdidos, pois de nós mesmos jamais teríamos capacidade pra voltar a nos relacionar com Ele. Então escolha ser feliz e, se for preciso, deixe a razão de lado e dê o primeiro passo.
   E, amar o próximo como a si mesmo (Mt 22:39), é fazer pelo outro o que eu gostaria que ele fizesse por mim. E, quando agimos assim, com este amor, não há mais espaço pra vingança, orgulho, egoísmo...Há tanta felicidade esperando pela gente...



Paz e até.




sábado, 16 de agosto de 2014

Fidelidade

 "Sê fiel até à morte, e dar-te-ei a coroa da vida" (Ap 2:10d)   



   Há algum tempo atrás, enquanto preparava uma aula para os adolescentes de minha igreja com o tema "A Igreja Perseguida", fui levada à uma auto reflexão profunda acerca de minha fidelidade e vida para com Deus.

   Respondemos sem titubear a alguém que nos questione sobre nossa fidelidade a Deus com um enfático: sim, sou fiel. No entanto esse é o conceito de fidelidade:




Fidelidade é o termo com origem no latim fidelis, que significa uma atitude de quem é fiel, de quem tem compromisso com aquilo que assume. É uma característica daquele que é leal, que é confiável,honesto e verdadeiro (http://www.significados.com.br/fidelidade/).
     É ela que nos torna capazes de nos mantermos firmes diante das dificuldades.
     Algumas pessoas abandonam a fé ao menor sinal de adversidade: ter se entristecido com alguém, não ter alcançado a função eclesiástica que almejava, frustração, desânimo e muitas outras coisas. Mas, pesquisando sobre a Igreja Perseguida, vi tantos relatos de irmãos ao redor do mundo que são torturados, humilhados, afastados de suas famílias, impedidos de exercerem sua fé publicamente e por vezes assassinados. Diante dessa realidade me perguntei: Qual será mesmo a minha grande dificuldade? Que grandes barreiras eu enfrento na vida e que me impedem de ser realmente obediente à vontade de Deus? Que dor seria capaz de não permitir que eu viva o Evangelho plenamente e ame o meu próximo como a mim mesma?

   Esses nossos irmãos não podem se reunir para adorar a Deus livremente, não podem ter uma Bíblia para ler, não possuem muitos conhecimentos teológicos, todavia não negam o nome de Cristo. Eles abraçaram a fé de maneira verdadeira e conseguiram se tornar o tipo de adorador que Deus procura: Os que adoram em espírito e em verdade (Jo 4:23): "Mas a hora vem, e agora é, em que os verdadeiros adoradores adorarão o Pai em espírito e em verdade, porque o Pai procura a tais que assim o adorem".

   Não quero com isso desprezar os problemas de ninguém. Quem vive a dor é que sabe o quanto dói, mas quero convidar você a enxergar a sua vida à luz da vida vindoura. Há promessa de Deus para aqueles que são fiéis: "Portanto, meus amados irmãos, sede firmes e constantes, sempre abundantes na obra do Senhor, sabendo que o vosso trabalho não é vão no Senhor" (I Co 15:58).

Paz e até.




Conheça o Portas Abertas e saiba mais sobre a igreja perseguidahttps://www.portasabertas.org.br/

domingo, 10 de agosto de 2014

Aba Pai

*Feliz dia dos pais!
   Hoje é um dia que muita gente aproveita pra declarar seu amor, carinho e admiração por seu pai. Não que o pai não seja especial nos outros dias, mas porque não aproveitar esse dia ao lado dele?
   Mas também há aqueles que não veem motivos para comemorar. Uns porque o pai já partiu e só o que há para um dia como esse, é saudade e lembrança. Outros porque não tiveram a possibilidade de gozar de um bom relacionamento com aquele que os gerou. As propagandas, nessa época do ano, mostram pessoas sorrindo, felizes, porém, na vida real, nem sempre é assim. Há todo tipo de pai: o que ama, cuida e zela, mas também o que abandona, o que negligencia, o que maltrata... 
   No entanto, independente do tipo de pai que nós tivemos ou temos aqui nessa vida, Jesus veio inaugurar um tipo de relacionamento do homem para com Deus e de Deus para com o homem, totalmente diferente. Ele mostrou que podemos nos relacionar com Deus como nosso Pai. Antes, Ele era apenas conhecido como Senhor, agora podemos chamá-lo de Pai (Mt 6:9) e ter certeza de que Ele nos recebe como filhos amados: "Contudo, aos que o receberam, aos que creram em seu nome, deu-lhes o direito de se tornarem filhos de Deus, os quais não nasceram por descendência natural, nem pela vontade da carne nem pela vontade de algum homem, mas nasceram de Deus" (Jo 1:12-13). E esse Pai não é do tipo que falha, que erra, que abandona. Seu amor supera todos os limites e expectativas humanas: "Mas Deus prova o seu amor para conosco, em que Cristo morreu por nós, sendo nós ainda pecadores" (Rm 5:8).
    No nosso Pai celestial temos uma herança que não se corrompe:  “Bendito seja o Deus e Pai de nosso Senhor Jesus Cristo, que, segundo a sua grande misericórdia, nos gerou de novo para uma viva esperança, pela ressurreição de Jesus Cristo dentre os mortos, para uma herança incorruptível, incontaminável e que se não pode murchar, guardada nos céus para vós” (I Pe 1:3,4).
   Aba é uma palavra aramaica, que corresponde ao nosso 'papai' na língua portuguesa. Era um modo carinhoso de chamar o pai sem, no entanto, deixar de ser respeitoso. Era uma das primeiras palavras que uma criança aprendia a falar. Hoje ouso te convidar a enxergar Deus não apenas como Senhor, mas também como o seu paizinho, o seu Aba. Isso nos fala de intimidade, confiança, cuidado, carinho, afeto...Como uma criança que é totalmente dependente do cuidado amoroso do pai, busque-o, convide-o a fazer parte de sua vida.
   Quando percebemos Deus como o nosso Pai amado, compreendemos que não se pode encontrar perfeição fora dEle. As pessoas podem nos magoar, nós podemos magoar as pessoas. Elas são falhas, nós somos falhos. Todavia, o Pai das luzes é imutável, sua perfeição jamais será abalada. E Ele conhece a cada um dos seus filhos: "O firme fundamento de Deus permanece, tendo este selo: O Senhor conhece os que são dele" (II Tm 2:19 a).
   Se hoje puderes estar com seu pai terreno, aproveite, mas independente disso, tenha um ótimo dia na presença do seu Aba, do seu paizinho. 


Paz e até.





   



quarta-feira, 30 de julho de 2014

Guarda o teu coração

   "Sobretudo o que se deve guardar, guarda o teu coração, porque dele procedem as saídas da vida" (Pv 4:23).



    A maioria de nós tem o costume de guardar coisas que consideramos importantes: fotos, cartas (quando ainda havia o costume de escrevê-las), presentes, lembranças, etc...coisas que às vezes podem até parecer insignificantes, mas que são significativas para nós. É a nossa tentativa de preservar um momento que já passou, uma pessoa que já se foi, um sentimento vivido em alguma situação. E quando olhamos para esses nossos guardados, de certo modo revivemos as mesmas emoções de outrora. Mas, em meio a tantas coisas que consideramos importante preservar, às vezes esquecemos do essencial: guardar o nosso coração.
    Salomão diz que é a coisa principal a ser guardada, pois é de lá que tudo o mais flui. E quando ele fala de coração não está se referindo ao nosso órgão físico (embora seja de grande utilidade para a vida física cuidar dele), e sim aos nossos sentimentos, às nossas emoções.
    É muito fácil deixar o coração se tornar um depositório de coisas ruins. Ao longo da vida somos feridos, magoados e muitas vezes não podemos evitar isso, mas podemos escolher o que faremos com aquilo que fazem conosco. É por isso que o apóstolo Paulo enfatiza: "Não te deixes vencer do mal, mas vence o mal com o bem" (Rm 12:21)
    Também é muito fácil a gente se ocupar apenas com o que é aparente e se esquecer de cuidar do nosso interior, daquilo que é essencial. Certa vez uns escribas e fariseus chegaram diante de Jesus com um questionamento: "Porque transgridem os teus discípulos a tradição dos anciãos? Pois não lavam as mãos quando comem pão" (Mt 15:2). Estavam preocupados apenas com o que estava diante dos olhos, com a aparência das coisas, mas Jesus vai ao fundo da questão e declara: "Ainda não compreendeis que tudo o que entra pela boca desce para o ventre, e é lançado fora? Mas o que sai da boca, procede do coração, e isso contamina o homem. Porque do coração procedem os maus pensamentos, mortes, adultérios, prostituição, furtos, falsos testemunhos e blasfêmias. São estas coisas que contaminam o homem, mas comer sem lavar as mãos isso não contamina o homem (Mt 15:17-20).
    Havia uma preocupação imensa em cumprir as regras e tradições farisaicas que eles mesmos estabeleceram e se esqueciam da essência da Palavra de Deus: "Amarás, pois, ao Senhor teu Deus de todo o teu coração, e de todo o teu entendimento, e de todas as tuas forças: este é o primeiro mandamento. E o segundo, semelhante a este, é: Amarás o teu próximo como a ti mesmo. Não há outro mandamento maior do que estes" (Mc 12:30,31). O coração deles estava cheio, só que das coisa erradas. A prioridade era 'aparentar' santidade e não 'ser' santo.
    Ficar triste, sentir raiva, medo, desgosto, angústia, não é nada fora do normal. Somos humanos dotados de sentimentos, mas podemos aprender a não permitir que esses sentimentos se alojem em nós a ponto de se tornarem parte de quem somos. O psiquiatra e escritor Augusto Cury ensina em seus livros uma técnica muito boa: repudiar os maus pensamentos e sentimentos antes que tenham tempo de se estabelecerem. Quando aceitamos que o mal se instale no coração é muito mais difícil de se livrar dele, pois a tendência é que ele crie raízes. Hb 12:15 fala sobre a raiz de amargura e toda vez que leio esse texto me lembro do quintal da minha avó. Era (e ainda é) tão cheio de árvores e, quando cortava-se alguma, era difícil arrancar a raiz. Elas sempre insistiam em brotar de novo dificultando muito o trabalho de limpar o terreno. No fim a terra ficava 'machucada', revolvida pra que se pudesse vencer a raiz. O ódio, o rancor, a ira, a mágoa, a inveja, a cobiça, a amargura, causam muito mais dor e perdas em quem elas se estabelecem do que no alvo de tais sentimentos. É como a frase de William Shakespeare: "Guardar ressentimento é como tomar veneno esperando que o outro morra".
    Independente do quanto tenhamos sido feridos, através do sangue de Jesus podemos nos livrar de todo fardo e aliviar nosso coração. Levar o coração pra mais próximo de Deus, enchê-lo com a Palavra dEle, deixar o amor de Deus inundar nosso ser e aprender com Ele a controlar nossas emoções através da atuação do Espírito Santo são passos importantes pra alcançar paz e tranquilidade emocional. "Mas, se andarmos na luz, como ele na luz está, temos comunhão uns com os outros, e o sangue de Jesus Cristo, seu Filho, nos purifica de todo o pecado" (IJo 2:7).


Paz e até.
  

terça-feira, 8 de julho de 2014

Ser servo não é suficiente?

   "Se alguém me serve, siga-me; e, onde eu estiver, ali estará também o meu servo. E, se alguém me servir, meu Pai o honrará" (Jo 12:26).
   
Ultimamente tenho observado uma tendência no meio evangélico: o estrelismo. Sou do tempo (não que eu tenha tantos anos assim, ainda nem cheguei aos 30, rsrs) em que os cristãos se orgulhavam de serem chamados servos de Deus. Quando alguém dizia "sou servo de Deus", dizia isso com grande alegria. Afinal, pode haver coisa melhor e mais digna do que ser servo do Deus Todo Poderoso? 
   A palavra servo significa aquele que executa tarefas sob as ordens de outra pessoa. O servo de Deus nada mais é do que alguém que obedece às ordens do Altíssimo.
   Mas hoje em dia, para um grupo inserido em nosso meio, isso parece não ser mais suficiente. Eu servo? Só isso? Não mesmo, e dá-lhe um monte de credenciais e posições criadas pra se autopromover. Não quero que pensem que sou contra os ministérios biblicamente estabelecidos. Os verdadeiros ministros do Evangelho, sabem que antes de mais nada são servos de Cristo. E exercem seu ministério com humildade e responsabilidade. Não é disso que estou falando. O caso aqui é outro. Falo daqueles que não servem a Deus, mas a si próprios. Pessoas cujo "deus" é o próprio ego. 
   A mitologia grega tem um mito bastante conhecido: O mito de Narciso. Conta-se que ele era famoso por sua extrema beleza e também por seu orgulho. Narciso era tão belo que pensava ser um deus. E sua autoadmiração foi o motivo de sua ruína, pois ao contemplar seu belo reflexo na lagoa de Eco, sem conseguir deixar de olhar para si mesmo, definhou contemplando sua imagem. E muitos por aí tem ido à ruína por exagerarem demais seus próprios atributos. Não que não tenhamos que ver qualidades em nós mesmos. Fomos criados à imagem e semelhança de Deus, mas temos que ter humildade para reconhecer nossa total dependência do Senhor Jesus. Como Ele mesmo disse: "sem mim nada podeis fazer" (Jo 15:5b).
  Tudo isso faz lembrar da história do rei Uzias. Um homem que muito prosperou em seu reinado por ter confiado no Senhor, mas quando tornou-se grande, deixou o orgulho encher seu coração e achou que já tinha poder suficiente para agir como bem entendesse: "E voou a sua fama até muito longe, porque foi maravilhosamente ajudado até que se tornou forte. Mas, havendo-se já fortificado, exaltou-se o seu coração até se corromper; e transgrediu contra o Senhor, seu Deus, porque entrou no templo do Senhor para queimar incenso no altar do incenso" (II Cr 26:15b, 16). O resultado de sua infração à uma determinação direta de Deus, de que só quem poderia oferecer incenso no altar do incenso era o sumo sacerdote, foi Uzias tornar-se leproso e ter que morar numa casa separada até o dia da sua morte. Cumpriu-se na vida dele o que diz Provérbios de Salomão: "A soberba precede a ruína, e a altivez do espírito precede a queda" (Pv 16:18).
   Jesus, ao ser abordado pela mãe dos discípulos Tiago e João com um pedido inusitado de que eles ocupassem lugar de honra em seu reino, esclarece: "Não será assim entre vós; mas todo aquele que quiser, entre vós, fazer-se grande, que seja vosso serviçal; e qualquer que, entre vós, quiser ser o primeiro, que seja vosso servo, bem como o Filho do Homem não veio para ser servido, mas para servir e para dar a sua vida em resgate de muitos" (Mt 20:26-28). Jesus mostra que o Reino de Deus se contrapõe aos reinos do mundo, pois para ser grande no Reino de Deus é preciso se fazer pequeno, é preciso servir. E o próprio Jesus declara ser ele o exemplo de alguém que SERVE tanto ao Pai quanto aos homens: Pois qual é maior: quem está à mesa ou quem serve? Porventura não é quem está à mesa? Eu, porém, entre vós, sou como aquele que serve" (Lc 22:27).
  Os servos de Deus um dia serão recompensados pelo seu esforço e perseverança em obedecer ao seu Senhor: "Bem aventurados aqueles servos, os quais, quando o Senhor vier, achar vigiando! Em verdade vos digo que se cingirá, e os fará assentar-se à mesa, e, chegando-se, os servirá"(Lc 12:37). Que Deus nos ajude a manter o coração longe do orgulho. Que possamos fazer das palavras de João Batista o nosso lema: "É necessário que Ele (Jesus) cresça e que eu diminua" (Jo 3:30).



Paz e até.