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domingo, 15 de dezembro de 2013

Marcas de amor

   Uma das coisas das quais mais gosto é de ler. Um dos livros que li em 2013 foi "As cinco pessoas que você encontra no céu" de Mitch Albom. Não é um livro religioso, trata-se da história de um simples mecânico de parque de diversões chamado Eddie que, ao morrer, encontra-se com cinco pessoas que passaram pela sua vida. Ele, que sempre se achou uma pessoa extremamente comum e um belo de um fracassado, vai aprender que ninguém passa em branco nessa vida. Ele foi marcado e também deixou marcas em outras pessoas.
  A parte que mais chamou minha atenção nesse livro foi o encontro de Eddie com o próprio pai. É quando Mitch Albom fala sobre as marcas inevitavelmente deixadas pelos pais nos filhos. Albom compara a vida dos filhos ao vidro novo, que absorve as manchas de quem o manipula. 
   Acho esse trecho interessante porque a família é, via de regra, aqueles que mais deixam marcas na nossa vida. Não fomos criados para o isolamento, somos seres sociais e o primeiro ambiente no qual experimentamos o convívio com o outro é com a nossa família. 
   Mas, infelizmente, as marcas deixadas pela família nem sempre são tão boas. Há o pai que abandona, a mãe que não demonstra amor (porque amor precisa ser evidenciado). Enfim, há famílias desestruturadas e desfuncionais. E isso também deixará suas marcas. No entanto, mesmo assim, podemos sempre contar com o amor do Pai das Luzes, do nosso Aba Pai: "Haverá mãe que possa esquecer seu bebê que ainda mama e não ter compaixão do filho que gerou? Embora ela possa esquecê-lo, eu não me esquecerei de você!" (Is 49:15).
   A maioria promete a si mesmo que não cometerá os mesmos erros que seus pais cometeram. Até que, ao termos nossos próprios filhos, num belo dia nos surpreendemos tomando atitudes no mínimo parecidas e as quais reprovamos a vida toda. Os compromissos, a falta de tempo, o estresse do dia a dia, as contas a pagar, nossa! tantas coisas que, quando é que sobra tempo pra poder fazer diferente e investir um tempo de qualidade com os filhos?
   A Palavra de Deus nos mostra a importância que Deus dá à infância. Moisés, à beira do Jordão, dando seus últimos conselhos antes de morrer, instrui os pais a ensinarem os filhos a temerem ao Senhor e a guardarem seus mandamentos: "Gravem estas minhas palavras no coração e na mente; amarrem-nas como sinal nas mãos e prendam-nas na testa. Ensinem-nas a seus filhos, conversando a respeito delas quando estiverem andando pelo caminho, quando se deitarem e quando se levantarem. Escrevam-nas nos batentes das portas de suas casas, e nos seus portões, para que, na terra que o Senhor jurou que daria aos seus antepassados, os seus dias e os dias dos seus filhos sejam muitos, sejam tantos como os dias durante os quais o céu está acima da terra." (Dt 11:18-21).
   Nesse texto fica claro que se deve aproveitar cada oportunidade para ensinar os filhos. Isso não é fácil, exige esforço, mas o versículo 21 traz a promessa de bênção para a vida desses filhos que foram orientados pelos pais.
   Jesus, em meio a tantos compromissos, teve tempo para as crianças:"Depois trouxeram crianças a Jesus, para que lhes impusesse as mãos e orasse por elas. Mas os discípulos os repreendiam. 
   Então disse Jesus: "Deixem vir a mim as crianças e não as impeçam; pois o Reino dos céus pertence aos que são semelhantes a elas". Depois de lhes impor as mãos, partiu dali. (Mt 19:13-15).
   Os discípulos quiseram impedir as pessoas de levarem seus filhos a Jesus. Eles não estavam mal intencionados, o pensamento deles talvez fosse o de muitos: crianças atrapalham; fazem muita bagunça; muito barulho; ah, são só crianças, encontrar-se com Jesus é coisa séria, só pra adultos. Mas Jesus mostrou a eles que o Reino dos céus pertence a elas.
   Muitos pais agem, inconscientemente, como os discípulos e não se empenham em levar seus pequenos a Cristo. Pensam que são pequenos demais e que não fará diferença e esperam que cresçam para depois se dar conta de que perderam um tempo precioso. Jesus deixou claro que os pequenos devem ser levados a Ele, que elas também precisam ter um encontro com o Salvador tanto quanto qualquer outra pessoa.
   Ao ensinar acerca do maior no Reino dos céus, é uma criança que Jesus usa como exemplo: "Naquele momento os discípulos chegaram a Jesus e perguntaram: "Quem é o maior no Reino dos céus?" 
   Chamando a si uma criança, colocou-a no meio deles, e disse: "Eu lhes asseguro que, a não ser que vocês se convertam e se tornem como crianças, jamais entrarão no Reino dos céus. Portanto quem se faz humilde como esta criança, esta é o maior no Reino dos céus." (Mt 18:1-4).
   Até o século XVIII, a criança era vista como um adulto em miniatura. Rousseau trouxe uma nova percepção acerca da infância ao entendê-la como o lugar da criança, e que deve ter suas etapas respeitadas para seu bom desenvolvimento, passando pela adolescência até chegar à idade adulta.Freud, o pai da psicanálise, ao estudar o impacto das vivências na infância sobre a vida adulta, acreditou que suas descobertas pudessem gerar, no futuro, adultos menos neuróticos e problemáticos.Muitos estudos e grandes homens estudaram a criança, como Piaget, que estudou como se dava o processo de desenvolvimento da inteligência e Vigotsky que tratou da importância da interação social nesse processo, para chegarem à conclusão de que a infância é extremamente importante.
    Mas, na vida cotidiana, muitas das vezes são os desenhos animados, a mídia, as músicas, os atores e atrizes de Hollywood, os jogos,e outras tantas coisas que acabam sendo os grandes influenciadores das nossas crianças. Os pais, às vezes se perdem em afazeres, compromissos, preocupados em poder dar aos filhos boas condições materiais se esquecem do mais importante: o amor, o carinho, a educação (aquela do respeito ao próximo, do bom dia, do obrigado, do por favor). 
    Lembro-me de um pai famoso que contou em uma entrevista que tinha dado um presente caro para o filho, mas que o filho falou pra ele que preferia ter ganhado uma bala. Crianças são assim, simples. Nós é que as tornamos consumistas, nós é que nos preocupamos com coisas caras e, muitas vezes, sem utilidade e que serão esquecidas logo.
   Como cristãos temos uma dupla responsabilidade. levar nossos filhos a Cristo e ensinar-lhes bons valores. Encare essa como sua maior responsabilidade, encare como um ministério do qual você foi encarregado e zele pela bênção que é ser mãe e pai.
"Se alguém não cuida dos seus parentes, e especialmente dos de sua própria família, negou a fé e é pior do um descrente." (I Tm 5:8).
Paz e até.



   
   

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