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quarta-feira, 8 de janeiro de 2014

Na contramão

   Ontem foi dia do leitor e por isso vou começar essa postagem falando de um livro que li recentemente: "1984", de George Orwell. Há muito tempo que vinha querendo lê-lo, até cheguei a ler em um blog que esse era um daqueles livros que você precisa ler antes de morrer. E isso só fazia aumentar minha vontade de devorar suas páginas. Finalmente consegui, e não me decepcionei (chato quando acontece de você criar expectativa por algo e não ser tão bom assim), o livro é realmente espetacular. Um dos melhores que já li.
   A história se passa em uma sociedade regida por uma ditadura política representada e liderada pelo Grande Irmão (Big Brother). O Partido controla tudo, até o pensamento das pessoas com a ajuda da Polícia do Pensamento que é encarregada de investigar qualquer gesto suspeito. As pessoas são vigiadas mesmo dentro de suas casas, através das tele-telas, que, além de transmitirem imagens o tempo todo, também as captura. Ou seja uma vigilância constante. A lavagem cerebral também é uma das ferramentas usadas para se exercer o domínio. Quando tem lugar o momento do ódio, as pessoas se reúnem em frente às tele-telas e ali houvem palavras que incitem o ódio àquele que representa a oposição, e o amor ao Grande Irmão. As pessoas amam ou odeiam de acordo com o que o Governo dita. Pensar diferente é crime punido com a morte. 
   As informações são constantemente manipuladas a fim de que o Partido esteja sempre certo. Os livros foram revisados e as ideias contidas neles reestruturadas de acordo com o pensamento do Ingsoc (Socialismo Inglês - forma de governo atuante). O país é constantemente bombardeado, e fazem de tudo para incutir na mente das pessoas que o Grande Irmão trouxe uma era muito melhor que a que viviam outrora. As mentiras são transformadas em verdades e cridas como tal. A guerra, o medo, a insegurança, são usados para manter total controle. 
   Os únicos que gozam certa liberdade são os proles, mas são ignorantes demais para tentarem uma revolução. Para eles está tudo bem como está. Enfim, um livro que se aproxima muito da nossa realidade atual.
   Somos manipulados o tempo todo, e nem nos damos conta disso. Gostamos do que a mídia nos manda gostar. Odiamos ou amamos sem ter nenhum fundamento sólido para explicar o ódio ou o amor, só porque alguém nos disse que é assim que devemos agir. Idolatramos pessoas, coisas, atitudes sem saber bem o porquê disso tudo. Não interessa, é moda, "tá todo mundo fazendo" e seguimos a onda.
   Isso me faz lembrar do filme "A Origem", quando o personagem do Leonardo DiCaprio explica que se uma ideia for plantada bem fundo no inconsciente de alguém, essa pessoa pensará que a ideia foi dela, quando, na verdade, houve uma sugestão, uma sementinha que germinou. Achamos que pensamos por nós mesmos, mas, na maioria das vezes, não é bem assim.
   Você já se perguntou se realmente precisa comprar aquela marca de roupas ou de sapatos ou se só está querendo se igualar (ou destacar-se, sei lá)? Já tentou entender porque cada vez mais pessoas se sentem fora dos padrões e fazem dietas loucas e cirurgias para tentar se encaixar em moldes pré-estabelecidos, mesmo colocando sua saúde em risco?
  É claro que nem toda influência é ruim. Uma boa influência de um professor sobre um aluno, dos pais sobre os filhos, dos amigos que amamos e admiramos é sempre bem vinda, mas não podemos abrir mão da liberdade de pensar por nós mesmos. O problema é que não somos educados para o livre pensar, para o questionamento (até de si mesmo), para argumentar e duvidar, para encontrar nossas próprias respostas às grandes questões, ao invés de recebermos tudo passivamente.
   Até mesmo alguns de nós cristãos, valorizam muito a emoção em detrimento da razão. Para alguns parece que pensar é pecado, mas o cérebro não foi colocado na nossa caixa craniana por acaso. Não estou, com isso, dispensando o emocional, o que quero dizer é que somos seres completos: emocionais, mas também racionais. Racionais, mas também espirituais.
   Não precisamos nos enquadrar nos moldes ditados pelo sistema que rege o mundo. Ser diferente é bom, fazer a diferença melhor ainda. Não é porque todo mundo pratica algo que temos que praticar também.  Bem disse Paulo: "Não se amoldem ao padrão deste mundo, mas transformem-se pela renovação da sua mente, para que sejam capazes de experimentar e comprovar a boa, agradável e perfeita vontade de Deus." (Rm 12:2 - NVI)
   Uma mente renovada em Cristo é capaz de experimentar e comprovar o quanto a vontade de Deus é boa, perfeita e agradável. É um olhar diferenciado que se adquire. É uma certeza que se alcança e que vai além de circunstâncias exteriores, pois se baseia no caráter do próprio Deus.

Paz e até.

PS: Se você se interessou pelo livro, segue um link para baixar em pdf. 
http://portugues.free-ebooks.net/ebook/1984/pdf?dl&preview

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