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quarta-feira, 22 de junho de 2016

Quando perdemos Jesus

"E, tendo ele já doze anos, subiram a Jerusalém à festa da páscoa; E, regressando eles, terminados aqueles dias, ficou o menino Jesus em Jerusalém, e não o soube José, nem sua mãe. Pensando, porém, eles que viria de companhia pelo caminho, andaram caminho de um dia, e procuravam-no entre os parentes e conhecidos; E, como não o encontrassem, voltaram a Jerusalém em busca dele. E aconteceu que, passados três dias, o acharam no templo, assentado no meio dos doutores, ouvindo-os e interrogando-os." (Lc 2:42-16)
  Já imaginou como seria ficar sem Jesus? Foi o que aconteceu com a família de Jesus. Eles o perderam e ficaram literalmente vários dias sem a sua presença e sem saber onde ele estava.

   A Bíblia não conta muitos detalhes da infância e adolescência de Jesus, Lucas é o único evangelho a relatar essa passagem em que nos deparamos com um Jesus pré-adolescente. O evangelho relata que todos os anos a família de Jesus subia a Jerusalém por ocasião da festa da páscoa. A Páscoa era uma das festas obrigatórias para os judeus. Numa dessas ocasiões, estando Jesus com doze anos de idade, a Bíblia diz que, ao terminar a festa, seus pais põem-se a caminho de casa. Era hora de voltar pra casa e todos tomaram o caminho de volta, mas e Jesus onde estava? Seus pais não o haviam visto, mas tinham confiança de que ele estivesse no meio da caravana deles, talvez com algum conhecido ou parente e, assim, iniciaram o regresso com tranquilidade sem saber que Jesus ficara em Jerusalém. Passa-se um dia inteiro até perceberem que algo estava errado. Não viram Jesus em momento algum e isso começa a preocupar. Procuram entre as pessoas e nada, até que decidem voltar a Jerusalém para encontrá-lo. Três dias depois conseguem encontrar Jesus no templo, no meio dos doutores.
   Não é interessante que tenham se posto a caminhar sem terem a plena certeza de que Jesus estava com eles? Podemos nos perguntar ao ler o texto, como alguém pode perder Jesus? Como não notaram antes que Jesus não estava com eles? Mas, infelizmente, essa história se repete ainda hoje. Essa história me faz lembrar de Sansão. Ele era um homem escolhido por Deus desde o ventre, um nazireu. Os nazireus deveriam viver uma vida bastante regrada, pois eram consagrados ao Senhor. A força de Sansão causava muita curiosidade nos seus inimigos, os filisteus. Sabiam que jamais poderiam vencê-lo sem saber como acabar com sua força. Daí decidiram usar Dalila que, dia após dia insistia para que Sansão lhe revelasse a fonte de sua força. Ele não podia revelar seu segredo, mas ao invés de cortar o mal pela raiz, achou que podia brincar com seu chamado. Depois de inventar várias justificativas para a sua força, finalmente ele acabou revelando que havia sido consagrado desde o ventre e que nunca havia cortado os cabelos. Dalila então o fez dormir e cortou as sete tranças do seu cabelo. Logo depois ela anunciou: "Os filisteus vêm sobre ti, Sansão." (Jz 16:20a). Ele acordou pensando que escaparia como das outras vezes, e então o texto nos revela algo profundamente triste que Sansão só vai se dar conta depois: "Porque ele não sabia que já o Senhor se tinha retirado dele" (Jz 16:20d). A negligência pelas coisas de Deus levou Sansão a um fim muito triste: preso, teve seus olhos furados e era exibido como troféu no templo de Dagom.
   A família de Jesus achava que tudo estava bem. Eles não viam Jesus, mas pensavam: "Ele está com nossa família e amigos, então tudo está bem". O convívio, o hábito, as repetições, a frequência aos cultos, os versículos decorados, parecem dizer-nos que Jesus está conosco incontestavelmente. Isso leva, muitas vezes, a uma vida de religiosidade vazia da presença de Deus, mas como ainda frequentamos o ambiente cristão, achamos que tá tudo certo. Esquecemos que é preciso manter um contato íntimo com o Mestre e não apenas cumprir rituais religiosos. Isaías alertou os israelitas para esse erro: "Eis que assim declara o Eterno: "Visto que este povo se chega junto a mim apenas com palavras sem atitude, e me honra somente com mover os lábios, enquanto seu coração está muito distante da minha pessoa. E a adoração que me prestam é constituída tão somente de regras e doutrinas criadas por homens" (Is 29:13). Os pais de Jesus não tinham contato com Jesus, mas acharam que tudo estava bem.
    
   Quando passamos à frente do Senhor Jesus, quando negligenciamos a sua Palavra, quando brincamos com as coisas de Deus, corremos um sério risco de o perdermos. Note que foram os pais de Jesus que seguiram o caminho sem verificar se Jesus estava indo com eles. Não foi Jesus que os abandonou. Da mesma forma, somos nós que decidimos nos afastar de Deus com nossas atitudes egoístas. Passamos à frente de Jesus quando ignoramos seus mandamentos e orientações e decidimos agir de acordo com nossa vontade, sabedoria humana e experiências passadas de sucesso. O sucesso que obtivemos no passado não é garantia de que obteremos vitória no futuro, somente Deus conhece o futuro e sabe como devemos agir.
   
   Depois de ficarem tanto tempo sem a presença de Jesus, era preciso fazer alguma coisa. A primeira coisa que os pais de Jesus fizeram foi reconhecer que Jesus não estava com eles e, a partir de então começaram a procurá-lo. Tiveram que retornar ao início, à Jerusalém. Era preciso rever conceitos, observar todos os seus passos até ali, reconstituir a trajetória até chegarem onde Jesus estava. Era preciso voltar: "Lembra-te, pois, de onde caíste, e arrepende-te, e pratica as primeiras obras." (Ap 2:5a). E, após retornarem ao local onde o haviam perdido, finalmente eles o encontram no templo. Não vou aqui dizer que você só poderá reencontrar Jesus na igreja, pois muitas vezes o perdemos sem nem mesmo deixar o templo. E ele também não se limita a espaços físicos. Mais do que ir a uma igreja é importante reconhecer que precisamos de Jesus na nossa vida, no nosso coração, habitando o templo que somos nós e buscá-lo até o encontrarmos. Uma boa notícia é que ele, de modo nenhum lança fora os que vão até ele.

Paz e até.

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