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sexta-feira, 26 de julho de 2013

O Filho Pródigo (Lc 15:11-32)

   Uma parábola consiste em uma história típica,tirada da realidade cotidiana do ouvinte e que oferece o ensino de uma verdade.
   O uso de parábolas era comum no Antigo Testamento (Jz 9:8-20-parábola de Jotão;II Sm 12:1-7-a repreensão a Davi; Is 5:1-parábola da vinha).
   As parábolas tiveram presença constante no ministério de Jesus. Ele usava este recurso para transmitir ensinamentos acerca do Reino de Deus.
   Em Lucas 15, Jesus conta três parábolas: a da ovelha perdida (1-7); a da dracma perdida (8-10) e a do filho pródigo (11-32), que ilustram que o Filho do Homem veio buscar e salvar o que se havia perdido(Lc 19:10).
   Jesus introduz essas parábolas justamente devido à murmuração dos fariseus e escribas que diziam entre si: "este recebe pecadores e come com eles" (Lc 15:2). Jesus mostra-lhes então o amor perdoador de Deus em buscar e receber o que estava perdido.Ele é o pastor que vai em busca da ovelha que se perdeu por descuido,por não ter prestado atenção ao caminho (v4);ele é aquele que procura a dracma perdida - o pecador que não tem consciência de sua perdição (v.8);e ele é o pai que recebe de braços abertos o filho que decidiu ir embora deliberadamente.
O filho pródigo
   Na época de Jesus, a sociedade era patriarcal.O pai exercia a liderança da família.Sua palavra e sua autoridade não eram questionados.
   Dentro desse modelo de sociedade, Jesus conta que um homem rico,dono de uma fazenda com muitos empregados, tinha dois filhos.O filho mais novo desse homem pede sua parte na herança. Ele quer administrar seus bens como bem entender.
   Segundo a lei judaica o filho mais velho recebia duas vezes mais, como ele era o mais moço tinha direito a 1/3 dos bens de seu pai (Dt 21:17).Era um pedido atrevido,pois desonrava o seu pai e ao mesmo tempo questionava sua autoridade,mas o pai reparte a herança (Lc 15:12).
   Mas aquele filho queria mais do que independência financeira, ele queria liberdade total sem compromisso com ninguém. Ele queria viver sua vida sem ter que seguir as regras, orientações e direção do pai. Ele quer viver segundo o seu coração deseja (enganoso é o coração - Jr 17:9).E ele decide afastar-se para o mais longe que pudesse do pai para assim afastar-se de suas regras (Lc 15:13).
   Longe do pai, ele desfruta de prazeres, satisfaz os desejos de sua carne, de seu coração, de seus olhos,mas o dinheiro acaba e os problemas começam a surgir.Sem a administração do pai e entregue aos vícios carnais seu dinheiro não dura muito.A decisão de ir para longe, que antes parecia boa, logo começa a mostrar as consequências.Ele experimenta a miséria e o desespero de viver longe dos domínios do pai. Uma grande fome surge naquela terra e ele não tinha mais recursos para suportar e começou a padecer necessidades (Lc 15:14).
   Sozinho,sem família, sem amigos, o único trabalho que consegue encontrar é cuidando de porcos Lc 15:15). Situação extremamente humilhante para um judeu.E a situação se torna ainda pior quando ele, sentindo fome deseja se alimentar da comida que os porcos comem e ninguém se importava com sua necessidade e não lhe dava nada (Lc 15:16). Longe do pai, ele sente-se mais maltratado do que os porcos dos quais cuidava. Ele chega ao fundo do poço. O preço de ter se afastado era por demais caro.
   A condição que estava vivendo o fez cair em si e lembrar de sua casa (Lc 15:17).E diz a si mesmo:" Quantos trabalhadores de meu pai têm abundância de pão, e eu aqui pereço de fome!". Ele reconheceu que na casa do pai, o mais simples empregado tem um tratamento digno enquanto que ele estava em miséria por estar longe.
   Ele toma uma decisão: "Levantar-me-ei, e irei ter com meu pai, e dir-lhe-ei: Pai, pequei contra o céu e perante ti. Já não sou digno de ser chamado seu filho; faze-me como um dos teus trabalhadores". Chega à conclusão de que é melhor ser um simples empregado nas terras do pai do que viver longe dele (Lc 15:18,19)
   A esperança dele era que o pai o recebesse na condição de trabalhador braçal e nem imaginava que o pai estivera o tempo todo à sua espera.Não importa o quanto tenhamos nos afastado, e nem como tenhamos vivido distante de Deus, ele sempre nos espera como pai e não como patrão.
   Quando ele ainda está distante, o pai o vê e corre ao seu encontro, lançando-se-lhe ao pescoço para o beijar (Lc 15:20).Note-se que: o filho caiu em si,depois decidiu voltar,mas quando ainda estava longe o pai foi ao seu encontro. Ele sabe que o filho, depois de ter se afastado, não teria coragem para se aproximar o suficiente e o próprio pai "quebra o gelo" e toma a iniciativa de abraçá-lo e beijá-lo. Quando uma pessoa se afasta de Deus, às vezes fica receosa ou sente não ter forças para reaproximar-se,mas só é preciso querer voltar para Deus e decidir voltar por que o ato de abraçar e beijar, o receber de volta é atitude do próprio Deus em favor do que estava perdido.
   O pai:
   1. Troca suas roupas (santidade, purificação, nova vida)(v.22);
   2. Põe-lhe um anel no dedo (autoridade restituída) (v.22);
   3. Põe sandálias nos seus pés (um novo proceder, uma nova direção, um novo caminho)(v.22);
   4. Prepara uma festa (alegria pelo filho que estava morto e reviveu, estava perdido e foi achado)(vv.23,24).
   O olhar do pai não estava nos erros outrora cometidos, mas sim na reconciliação.
   O irmão mais velho se irritou profundamente com a atitude do pai em relação aquele irmão que era um esbanjador e ingrato aos seus olhos.Ele se sentiu injustiçado e nem quis participar da festa (Lc 15:28). Ele se julgava mais digno do que seu irmão e não conseguia entender o amor e misericórdia do pai.Ele fazia tudo que o pai mandava, trabalhava na fazenda, se esforçava, mas não conhecia o pai verdadeiramente. Somente a falta de conhecimento e intimidade com o pai poderia produzir essa reação. Se ele realmente conhecesse seu próprio pai saberia que o pai é perdoador, acolhedor, amoroso e doador de graça e misericórdia.
   Os fariseus e escribas se vangloriavam por conhecer a lei, cumprir os mandamentos e tradições, por serem descendentes de Abraão, mas não conheciam verdadeiramente a Deus. Sua obediência era vazia de intimidade com Deus por isso não compreendiam que Deus recebesse pecadores e publicanos como filhos amados (Lc 18:9-14). Jesus demonstra aos fariseus e a todos que ouviam essa parábola que o Pai não vai lançar fora o pecador arrependido, antes alegrar-se-á pelo seu retorno (Lc 15:7,10).


Paz e até.

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